- Megan Greene, membro do comitê de política monetária do Banco da Inglaterra, diz que salários mais fortes podem limitar cortes de juros neste ano.
- Planos de reajustes salariais de 3,5% ou mais em 2026 sugerem que o crescimento salarial pode não desacelerar, mantendo a inflação alta; a inflação de dezembro ficou em 3,4%.
- A taxa base atual é de 3,75%, após quatro cortes em 2025; o mercado já cogita o primeiro recuo neste ano, possivelmente em junho.
- O banco revelou que subestimou os efeitos da inflação após o choque de energia de 2022 e buscará melhorar modelos sobre mercado de trabalho, salários e expectativas de inflação.
- O PMI da S&P Global mostrou alta de custos e pressões salariais, com impacto em preços, e demissões, especialmente no setor de hotelaria, elevando inflação e reduzindo expectativas de cortes.
Megan Greene, integrante da Monetary Policy Committee do Bank of England, afirma que o crescimento salarial forte pode limitar cortes de juros neste ano. A fala ocorreu em Londres, durante evento com o Resolution Foundation, instituto de pesquisa.
Greene aponta que a desaceleração do crescimento de salários pode ter chegado ao fim. Indicadores do BoE, que sugerem salários com alta de 3,5% ou mais neste ano, embasam a preocupação com a inflação.
Dados oficiais indicaram alta de 4,5% no salário, excluindo bônus, entre setembro e novembro, ante 4,6% no trimestre anterior. O BoE mantém meta de inflação de 2%, ainda que a inflação de dezembro tenha chegado a 3,4%.
A disparidade entre salários e produtividade preocupa. Greene manifestou ceticismo quanto a uma recuperação rápida da produtividade neste ano, o que pode sustentar pressões inflacionárias.
A decisão sobre novos cortes dependerá também da atuação da Reserva Federal dos EUA. Caso o Fed reduza taxas com mais intensidade, a demanda global pode pressionar a inflação no Reino Unido, afirmou a pesquisadora.
Paralelamente, o BoE revelou que subestimou os efeitos da inflação provocada pelo choque de energia em 2022, após a invasão russa. O relatório de avaliação projeta aperfeiçoar modelos para entender melhor vínculos entre mercado de trabalho, salários e expectativas de inflação.
O estudo de atividade empresarial, feito pela S&P Global, mostrou custos mais altos em janeiro e continua a inflação estável desde dezembro, em patamar elevado. Empresas associaram altas de custos a salários e tarifas de transportes.
A pesquisa indicou forte elevação de custos que levou à maior correção de preços praticados por empresas em mais de um ano. Além disso, houve queda acentuada de empregos, com impacto maior no setor de hospitalidade.
Economistas de mercado reduziram a expectativa de dois cortes de juros pelo MPC neste ano, com o primeiro recuo avaliado apenas para junho. A taxa básica atual está em 3,75% após quatro cortes em 2025.
O PMI de janeiro apontou leitura de 53,9, acima do 51,4 de dezembro, marcando expansão. O indicador confirma a persistência de pressões de custo e demanda ainda fortes na economia britânica.
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