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Paradoxo do pimentão: preços australianos expõem falha de transparência

Análise exclusiva mostra variação entre preço por unidade online e peso em 15 itens, revelando falta de transparência e impacto potencial no bolso do consumidor

Because supermarkets are not required to display a per-kilo price, or even the average weight of items, shoppers are unlikely to know whether they’re actually getting a good deal when paying a set price per item.
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  • Analista de dados de Sydney comparou o preço por unidade online com o preço por quilo na loja Woolworths, em 15 frutas e verduras, revelando variações de preço “completamente arbitrárias.
  • A análise aponta volatilidade acentuada de preços ao vender pelo item em vez de por peso, com alguns itens chegando a ter mais de cinquenta por cento de diferença.
  • Exemplo destacado: pimentão verde custa R$ 9,90 por quilo na loja, mas R$ 2,48 cada online, gerando custo efetivo muito maior por unidade.
  • Coles iniciou testes de preços por unidade em algumas lojas, alegando oferecer clareza sobre o que será pago no checkout.
  • Regulações atuais não obrigam divulgação de preço por quilo online, o que pode dificultar saber se há vantagem ao comprar por item; estudo recomenda revisão das regras para reduzir lacunas e transparência.

O que aconteceu: uma análise realizada por um analista de dados de Sydney comparou o preço de frutas e verduras online, item por item, com o preço por quilo na prateleira de uma loja Woolworths. Os resultados indicaram variações de preço muito altas, com itens chegando a sofrer mudanças superiores a 50% entre as duas formas de cobrança.

Quem está envolvido: o estudo envolve Woolworths, que pratica preço por peso na loja para a maioria das frutas e verduras, e preços por unidade online para itens frescos. A rede Coles também confirmou que está testando a cobrança por unidade em algumas lojas. O analista que conduziu a comparação pediu anonimato; autoridades de consumidores também participaram do debate sobre regras de precificação.

Quando e onde: a comparação foi realizada com itens disponíveis na Woolworths de Sydney, usando a loja online da mesma rede no mesmo dia para o cálculo de preços por unidade versus peso. A matéria destaca a falta de exigência regulatória de exibir preço por quilo online, o que impede verificação imediata de valores pelo consumidor.

Por quê: o objetivo do estudo foi verificar se a cobrança por unidade é justa para o consumidor e se o sistema favorece práticas com menor transparência de preço. A análise aponta que, sem comparação clara, o comprador não sabe se está recebendo um bom negócio ao pagar por peça.

Paradoxo dos pimentões

O exemplo mais marcante, denominado pelo analista como o “paradoxo do pimentão”, mostra que capimões verdes custavam 9,90 por kg na loja, mas 2,48 por unidade online, o que equivale a cerca de 51% a mais no formato por peça. Ao dividir o preço online pela média de peso, o preço efetivo por quilo fica ainda mais alto.

Para calcular o peso médio, o analista pesou cinco unidades de cada item, ou duas cabeças de brócolo, em uma loja Woolworths de Sydney, e dividiu pelo número de peças. O same day online, na mesma loja, serviu de base para o cálculo de preço por quilo.

Reduzidos ou aumentados: alguns itens mostraram menor preço por peça do que por peso. Brócolis, cebolas morenas e vermelhas, pimentões vermelhos e tomates-cereja registraram preços por peça mais baixos que o preço por quilo na loja. Já batatas-redes tiveram custo 30% maior por peça.

Impactos regulatórios e debate

Especialistas dizem que o atual regime permite uma grande margem de manobra: o varejo pode precificar por peça ou por quilo, seja para itens embalados ou soltos. A falta de transparência dificulta a comparação de ofertas pelos consumidores. Há preocupações de que a prática possa favorecer shrinkflation ou mudanças de tamanho sem ajuste de preço.

Representantes de associações de defesa do consumidor defendem mudanças na legislação de medição de mercadorias. A proposta é reduzir ou eliminar a possibilidade de precificação por peça para frutas e verduras, promovendo maior clareza de preços para o público. O tema já recebe atenção de órgãos reguladores e entidades civis, com debates sobre aperfeiçoamento das regras de precificação.

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