- Serasa (em parceria com Opinion Box) aponta que cerca de sessenta por cento dos aposentados continuam trabalhando, para complementar a renda, manter a rotina e sentir-se produtivos.
- O caso de Deusdédit Rodrigues, 70 anos, ilustra a trajetória: aposentado desde 2017, trabalha como fiscal de obras e acorda cedo para seguir ativo.
- Dados do IBGE indicam que, em 2024, vinte e quatro vírgula quatro por cento das pessoas com sessenta anos ou mais estavam ocupadas, o maior nível da série histórica iniciada em 2012.
- A pesquisa mostra também que metade dos aposentados já recorreu ao crédito para pagar contas; quarenta e seis por cento afirmam que a aposentadoria não basta para manter o padrão de vida.
- A legislação permite que aposentados continuem com carteira assinada, com direitos trabalhistas preservados; há casos diversos, como Cida, Lourival, Mônica, Euclécio e Regina, que seguem ativos por necessidade ou escolha.
Aposentados que continuam na ativa somam uma parcela relevante da nossa força de trabalho. Um levantamento da Serasa, em parceria com o Opinion Box, aponta que 60% dos aposentados ainda trabalham. Motivos vão além da renda: muitos buscam manter a rotina e a sensação de produtividade.
Entre os casos, destaca-se o de Deusdédit Rodrigues, 70 anos, que se aposentou em 2017 mas retornou à fiscalização de obras em 2022. Ele encara a rotina de deslocamentos diários e supervisiona acabamentos para assegurar imóveis com padrão de novo.
A pesquisa ouviu 952 pessoas entre dezembro e janeiro e mostra que 63% desejam a continuidade da ativa para complementar a renda, 57% para manter dinamismo e 32% para sentir-se produtivos. O estudo reforça a onipresença do tema no Brasil.
Contexto demográfico e financeiro
Dados do IBGE indicam que, em 2024, 24,4% das pessoas de 60 anos ou mais estavam ocupadas, o maior patamar desde o início da série. Entre homens nessa faixa etária, 34,2% estavam empregados; entre mulheres, 16,7%.
Para quem trabalha após a aposentadoria, a legislação permite regime com carteira assinada, mantendo direitos trabalhistas. A advogada Priscila Arraes destaca que os ganhos continuam sujeitos às regras da relação de emprego e ao INSS.
Exemplos de trajetórias
Maria Aparecida Moura, 66, conhecida como Cida, decidiu manter a atividade familiar para cuidar de familiares. A aposentadoria por idade foi escolhida por ela para enfrentar a realidade de despesas e responsabilidades agregadas.
O caso de Lourival Vieira, 84, caminhoneiro, também demonstra persistência no trabalho. Mesmo com décadas de atividade, ele reserva parte do ganho para projetos sociais mantidos pela esposa, que distribui donativos a comunidades carentes.
A contadora Mônica Acencio, 58, continua na mesma função após a aposentadoria de 2019, justificando a opção pela convivência com o ambiente profissional e pela satisfação de manter o ritmo de trabalho.
Observações legais e impactos
Especialistas destacam que manter a atividade não implica recálculo automático do benefício. A contribuição ao INSS permanece, sem previsão de alteração do valor da aposentadoria já recebida, salvo em casos específicos de aposentadoria por incapacidade.
Situações de dependência financeira variam. Em alguns casos, a renda da aposentadoria não cobre o custo de vida, levando os trabalhadores a manter a atividade para suprir despesas básicas e enfrentar imprevistos.
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