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Por que o vinho francês é caro no Brasil e como importadora busca mudar

Chez France reduz custos ao vender direto ao consumidor, sem intermediários, para tornar vinhos franceses mais acessíveis no Brasil

Por que o vinho francês é tão caro no Brasil. E como uma importadora tenta mudar isso
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  • Na França, vinhos são produzidos por milhares de pequenos produtores, como cerca de oito mil em Bordeaux e mais de cinco mil na Borgonha, o que eleva o custo desde a origem.
  • No Brasil, vinhos franceses raramente saem por menos de cerca de R$ 150, muito acima da média de até R$ 50 praticada na França.
  • Philippe Ormancey criou a Chez France para importar diretamente, controlar a cadeia e vender ao consumidor final por meio de e-commerce, televendas e clubes de assinatura.
  • A empresa importa cerca de 300 mil garrafas por ano, com mais de 150 produtores na carta, e o preço médio das garrafas fica em torno de R$ 120, contando com parte relevante do faturamento de um clube de assinaturas com cerca de 5.000 membros.
  • O acordo entre União Europeia e Mercosul pode reduzir tarifas sobre vinhos europeus, o que, segundo ele, pode levar o preço médio no Brasil a ficar próximo de R$ 80, dependendo de como importadores repassam a queda de impostos.

O empresário Philippe Ormancey, ex-presidente da ArcelorMittal na América do Sul, lançou a Chez France para reduzir custos de vinhos franceses no Brasil. Segundo ele, a diferença de preço começa na produção e se amplia pela tributação.

Ormancey explica que o modelo francês envolve milhares de produtores familiares, especialmente em Bordeaux e Borgonha, o que limita ganhos de escala e eleva o custo final. O vinho francês não funciona como commodity no Brasil, afirma.

No Brasil, o preço médio de garrafa fica em torno de R$ 50, mas rótulos franceses comuns superam R$ 150. O custo na origem precisa ficar próximo de 1 euro para caber nesse patamar, diz o empresário.

A carga tributária brasileira sobre vinhos importados varia conforme estado e regime, chegando a 100% em alguns casos, aponta a Chez France. Mesmo com incentivos, o imposto costuma ficar em torno de 70%.

Curadoria

Para contornar o cenário, a Chez France atua com importação direta, sem intermediários, vendendo via e-commerce, televendas e clubes de assinatura. A empresa controla toda a cadeia, desde a importação até a distribuição.

O modelo, segundo Ormancey, lembra o funcionamento anterior do executivo no aço: controlar matéria-prima e distribuição para reduzir custos, mantendo a curadoria. Hoje a Chez France importa cerca de 300 mil garrafas por ano.

O portfólio reúne mais de 150 produtores franceses, com preço médio de garrafa em torno de R$ 120. Cerca de metade do faturamento vem de um clube de assinaturas com aproximadamente 5 mil membros.

Perspectivas e impactos}

O dirigente reconhece que o consumo de vinho no Brasil não cresce com rapidez, o que desafia o negócio. Restaurantes e supermercados relatam volumes baixos e margens sensíveis a preço.

Um possível alento viria do acordo entre União Europeia e Mercosul, com redução gradual de tarifas. Ormancey afirma que queda de até 70% para o imposto final poderia reduzir o preço para cerca de R$ 80.

Ele aponta que a redução tributária não se traduz automaticamente em menor preço. Importadores decidirão quanto repassar e quanto recompor margens, mas espera que a transparência movimente o mercado.

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