- Grandes empresas de bebidas acumulam cerca de US$ 22 bilhões em destilados em envelhecimento, nível de estoques mais alto em mais de uma década.
- A queda do consumo vem junto com mudanças demográficas: cada vez mais lares são formados por apenas uma pessoa, e jovens reduzem rituais de consumo.
- O vinho global pode registrar queda de cerca de 2% em 2025, levando o consumo ao menor nível desde 1961.
- Vinhos de sobremesa, como Sauternes, sofrem com a economia de menos açúcar e menos rituais à mesa, com queda acentuada no valor de terras na França.
- Estoques de vinhos tintos na Itália cresceram 8,6% em 2025; produtores buscam estratégias de vinificação de parcelas menores para valorizar o produto diante da demanda mais baixa.
A indústria do vinho encara um período de transição complexa, marcado por mudanças de hábitos, guerras comerciais e ajustes de estoque. Em 2025, o setor tende a registrar queda de consumo, mesmo diante de avanços técnicos na produção. O contexto envolve mudanças demográficas e proteção de mercados.
Cinco grandes empresas globais de bebidas, entre elas Diageo, Pernod Ricard e Campari, acumulam hoje cerca de US$ 22 bilhões em destilados em envelhecimento. Esse é o maior volume de estoques em mais de uma década, segundo dados analisados pelo Financial Times.
A solidão e o estilo de vida das novas gerações aparecem como fatores estruturais. A proporção de lares com apenas uma pessoa deve subir de 28% em 2018 para 35% até 2050, elevando refeições solitárias diante de telas. Em 2023, 25% dos adultos nos EUA fizeram todas as refeições sozinhos em um dia.
Panorama do consumo
No setor, o vinho global deve registrar queda de cerca de 2% em 2025, configurando a quarta retração anual consecutiva. O recuo acompanha um esgotamento do modelo centrado no aumento de volume, em meio a mudanças de hábitos.
Vinhos de sobremesa aparecem como exemplo de impacto desse cenário. Regiões históricas, como Sauternes, na França, viram quedas expressivas de valor? as terras recuaram cerca de 90% entre 1990 e 2023. O luxo associado a tempo e celebração perde espaço em economias de menor tolerância ao rastro de açúcar.
Exemplos de produção e estratégia
Em Hungria, Tokaji é citado como exemplo de versatilidade, com açúcar residual que favorece harmonizações diversas. O diretor-geral de Tokaj Oremus destaca a evolução do consumo, mantendo o apreço histórico pela bebida. Já na Itália, estoques de tintos cresceram 8,6% em 2025, reflexo de demanda mais fraca e consumo em queda.
Na Toscana, Castello di Ama reforça a aposta em vinhos de nicho, com rendimentos menores e vinificação de parcelas específicas. A estratégia mira manter identidade e cultura associadas ao vinho, sem ampliação agressiva de produção.
Perspectivas regulatórias e mercados
A guerra tarifária entre Estados Unidos e União Europeia, iniciada sob a gestão de Washington, aumenta a incerteza para o setor. Além disso, o acordo União Europeia Mercosul pode alterar a competitividade no Brasil, afetando cadeias de produção e distribuição.
O conjunto de fatores indica um período de ajustes profundos, com menor capacidade de expansão de consumo e maior foco em qualidade e garra normativa. O setor, portanto, segue sob pressão para se reinventar e adaptar-se a um mercado mais prudente e menos expansivo.
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