- Vendas de imóveis de luxo nos EUA cresceram 2,9% de janeiro a outubro de 2025, ante 1,7% no mercado tradicional, segundo a Associação Nacional de Corretores de Imóveis.
- O relatório da Coldwell Banker destaca a resiliência do setor, com preços estáveis, vendas sustentadas e maior confiança, impulsionados pela transferência de riqueza.
- A média de mansões de luxo é de 395 metros quadrados (frente a 220 metros quadrados de imóveis tradicionais), com maior demanda por privacidade, espaços amplos e flexibilidade para construção ou expansão.
- Entre imóveis de luxo, cinco ou mais quartos são comuns em 63,7% das consultas; itens não negociáveis incluem número mínimo de quartos e banheiros, vistas e privacidade.
- O mercado também vê aumento no interesse por reformas: embora imóveis prontos ainda sejam os mais procurados, 58,3% dos especialistas relatam demanda crescente por casas bem localizadas que podem ser reformadas para agregar valor.
O mercado imobiliário de luxo nos EUA registrou recuperação e expansão em 2025, mesmo diante de altas de juros. Enquanto as vendas residenciais tradicionais cresceram 1,7% de janeiro a outubro, o segmento de luxo aumentou 2,9% no mesmo periodo, segundo a Associação Nacional de Corretores de Imóveis dos EUA. O desempenho é destacado no Relatório de Tendências de Luxo da Coldwell Banker.
A gerente de referência do estudo aponta a resiliência do mercado de alto padrão. Michael Altneu ressalta que, mesmo com juros elevados, o segmento manteve preços estáveis, vendas sustentadas e confiança entre compradores de alto patrimônio. A tendência é vista como diferenciar-se do mercado tradicional em 2025.
Mudanças na demanda e no perfil dos compradores
Com decisões de longo prazo, os compradores de luxo buscam privacidade, espaços amplos e potencial de expansão. A média de uma casa unifamiliar de luxo é de 395 m², bem acima dos 220 m² dos imóveis tradicionais. Nos geminados, a diferença fica em 228 m² contra 167 m².
A pesquisa aponta que 63,7% das consultas de luxo envolvem imóveis com cinco ou mais quartos. Entre os não negociáveis, 37,4% citam o número mínimo de quartos e banheiros; 21,6% valorizam as vistas; 11,5% o histórico arquitetônico; 10,1% privacidade e segurança.
Preferência por projetos prontos e reformas pontuais
A maioria dos compradores ainda prefere imóveis prontos para morar, mas há aumento do interesse em reformas. Em mercados como Nova York e Los Angeles, há demanda por propriedades que exigem reformas para personalização. O movimento é visto como forma de manter localização e criar valor futuro.
Profissionais da Coldwell Banker relatam casos de reformas que elevam o valor do ativo, com imóveis pré-guerra sendo relançados por valores superiores após melhorias. A busca por personalização é maior entre quem planeja morar no imóvel por cinco anos ou mais.
Investimento e panorama de riqueza
O relatório aponta que famílias de alta renda costumam incluir imóveis como parte essencial da estratégia financeira. A projeção indica gasto imobiliário acima de 18% para elites, com a casa atuando como âncora de riqueza a longo prazo. A pandemia acelerou essa visão de lar como santuário.
A ascensão da chamada grande transferência de riqueza também molda o mercado. Estima-se que, entre gerações, trilhões de dólares seguirão para herdeiros, com parte significativa permanecendo nos EUA. A movimentação é apresentada como fator de consolidação de ativos.
Migração de centros de riqueza e novos polos
Tradicionais áreas de alto valor, como Nova York, Hamptons e Beverly Hills, permanecem relevantes. Contudo, a riqueza está migrando para cidades como Minneapolis, Atlanta, Dallas, San Diego e Nashville. Em escala global, mercados emergentes incluem Montenegro, Emirados Árabes e Malta.
O estudo aponta que jovens compradores valorizam bem‑estar, natureza, sustentabilidade e segurança ambiental, além de estabilidade fiscal e qualidade de vida. Mesmo assim, fatores como planejamento tributário e preservação de patrimônio continuam influentes.
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