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Colapso da Lugano Diamonds expõe fraudes e irregularidades

Fraudes e gestão contábil irregular levam Lugano a colapso; Compass perde valor, entra em recuperação judicial e responde a ações judiciais

Moti Ferder é fundador da Lugano Diamonds
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  • Diamante azul de 6,43 quilates, avaliado em quase US$ 11 milhões, desaparece durante consignação na Lugano Diamonds; Scarselli Diamonds acusa a operação de ter realizado transações falsas para inflar receitas.
  • A Compass Diversified, controladora da Lugano, iniciou auditoria forense que indicou venda de estoque inexistente, faturamento não registrado e financiamentos não divulgados fora do balanço.
  • Em maio, a Lugano admitiu desconhecer o paradeiro de vários diamantes; a Scarselli moveu ação solicitando cerca de US$ 13,5 milhões; a empresa entrou com recuperação judicial em novembro e foi vendida, posteriormente, a uma divisão da Gordon Brothers.
  • O impacto financeiro atingiu fortemente a Compass, cuja receita de Lugano foi revista para baixo e cuja dívida aumentou; a empresa busca reduzir taxas cobradas às subsidiárias e devolver valores recebidos indevidamente.
  • O que resta da Lugano foi adquirido pela Enhanced Retail Funding; a Compass planeja possível venda de outras subsidiárias para reduzir alavancagem, com decisões importantes previstas para 2027.

O colapso da Lugano Diamonds expôs uma rede de supostas fraudes ligada à Compass Diversified, gestora de investimentos. Os golpes teriam envolvido venda de diamantes, incluindo um azul de 6,43 quilates, avaliado em quase US$ 11 milhões, e teriam prejudicado diversas partes, segundo ações judiciais protocoladas.

Conforme as acusações, a Scarselli Diamonds enviou a gem no dia 28 de janeiro de 2025 ao CEO da Lugano, Mordechai Ferder, para exibição a potenciais compradores. O acordo previa devolução mediante solicitação, após exposição na praça de Miami. A Scarselli já havia feito 14 consignações totalizando US$ 44 milhões com a Lugano.

No fim de fevereiro, a Scarselli solicitou a devolução de Diamantes consignados para a feira de Hong Kong. Apenas o diamante azul não foi devolvido, segundo relatos, e Ferder teria respondido via WhatsApp que seguiriam trabalhando no caso. Em abril, a Forbes destacou o suposto sucesso da Lugano com base em documentos à SEC.

A Compass, controladora da Lugano, abriu uma investigação contábil forense que indicou irregularidades em vendas, estoque, custo dos produtos vendidos e contas a receber. O relatório apontou que Ferder teria criado transações falsas para inflar a receita e firmar acordos de financiamento não divulgados, mantidos fora do balanço.

Em maio, a Lugano admitiu não saber o paradeiro de vários diamantes, entre eles o da Scarselli. Dois meses depois, a Scarselli moveu ação contra Lugano, Compass e Lloyd’s, buscando US$ 13,5 milhões e descrevendo o diamante azul como único e de valor excepcional. O proprietário Davide Scarselli não comentou.

A Lugano processada acusou Ferder de roubo de diamante. A empresa entrou com recuperação judicial em novembro e, em janeiro, foi vendida a uma divisão da Gordon Brothers. A Compass, por sua vez, passou a reconfigurar demonstrações financeiras, já que os resultados de Lugano 2024 ficaram 85% abaixo do divulgado.

A reavaliação afetou a receita consolidada da Compass, de US$ 2,2 bilhões para US$ 1,8 bilhão em 2024, com queda no lucro, e reduziu ativos em US$ 750 milhões. A cotação da Compass despencou, chegando a cair cerca de 70% no último ano, e a empresa tornou-se alvo de renegociação com credores.

Entre os credores, a Compass firmou acordos para reduzir taxas cobradas de subsidiárias e limitar pagamentos trimestrais. A gestora também se comprometeu a devolver parte de taxas recebidas indevidamente e a absorver parte das perdas da Lugano. Investidores buscam recuperação de diamantes ou de parte dos valores, inclusive contestando a venda de ativos.

O núcleo do caso envolve a venda de participações em diamantes a clientes ricos, com promessas de dividir lucros quando as pedras fossem convertidas em joias. Um investidor, Kristoffer Winters, afirma ter pago US$ 3 milhões para adquirir participação em diamantes e ter recebido promessas de juros de 10% mensais, sem recebimento posterior.

Documentos da Compass à SEC indicam que as entradas de caixa dessas vendas foram tratadas como receitas operacionais, sem obrigatoriedade de devolução do principal. Contadores indicaram a necessidade de reclassificar tais contratos como obrigações a pagar, com magnitudes que somam US$ 184 milhões.

O representante legal de Ferder nega irregularidades, afirmando que os acordos de financiamento eram prática comum no setor de joias de luxo. A defesa sustenta que a Compass acompanhava de perto as operações e que não houve fraude, sugerindo que a empresa é que esteja buscando defesa para suas falhas de supervisão.

Diante da crise, a Compass adianta que continuará fortalecendo controles internos e terceirizando auditorias, com a criação de um cargo de supervisão de risco. A Lugano, após a venda para a Gordon Brothers, permanece em recuperação judicial, com lojas ainda abertas em diversas cidades, inclusive Newport Beach.

Em julho de 2027 vence a linha de crédito sênior da Lugano; a Compass sinaliza possibilidade de venda de outras participações para reduzir a alavancagem. Analistas consideram possível a venda de ativos da empresa para reduzir dívidas, mantendo a expectativa de uso de créditos fiscais por prejuízos acumulados.

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