- O mercado reagiu com queda dos juros de curto prazo e alta dos juros longos, elevando a inclinação da curva de juros após a possível indicação de Guilherme Mello para a diretoria de Política Econômica do Banco Central.
- Mello, atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, teria sido indicado pelo ministro Fernando Haddad para substituir Diogo Guillen.
- O aumento de cerca de 0,15 ponto percentual nos vencimentos longos indica percepção de risco sobre o cenário econômico se ele assumir o cargo.
- O mercado tinha visto como provável a nomeação de Paulo Picchetti para a Diretoria de Política Econômica, com outros nomes discutidos nos bastidores.
- Um plano alternativo discutido seria Mello para a diretoria de Assuntos Internacionais, com Picchetti na Política Econômica, mas ainda não houve encaminhamento formal ao Planalto.
O mercado financeiro acordou com alerta sobre a possível nomeação de Guilherme Mello para a diretoria de Política Econômica do Banco Central. A indicação, feita pelo ministro Fernando Haddad, seria para substituir Diogo Guillen. A reação foi rápida e direta.
Juros futuros de longo prazo subiram aproximadamente 15 pontos base, sinalizando maior percepção de risco para o cenário futuro. Enquanto isso, juros de curto prazo com vencimentos até 2028 recuaram, puxados pela expectativa de início de cortes da Selic. A curva de juros ficou mais inclinada.
Até então, o nome mais provável para a diretoria de Política Econômica era Paulo Picchetti, atual diretor de Assuntos Internacionais do BC. Circulavam ainda possibilidades como Tiago Cavalcanti e Thiago Ferreira entre os cotados.
A entrada de Mello é vista como contrária ao chamado consenso do mercado, devido à defesa da Teoria Monetária Moderna (MMT). A visão é heterodoxa e aponta para financiamento de gastos públicos via emissão de moeda, com o principal limitador sendo a inflação.
Essa indicação gera desconforto, especialmente em um momento em que o BC precisa manter política monetária claramente contracionista para conter impulsos da política fiscal. O cenário aumenta a incerteza sobre o grau de rigidez da política monetária no curto prazo.
O jornalismo apura ainda que Gabriel Galípolo, com ampla proximidade ao presidente Lula, é figura central no processo. Embora a formalização ainda não tenha chegado ao Planalto, surge um plano alternativo: Mello para Assuntos Internacionais, Picchetti para Política Econômica.
A dúvida central é se esse arranjo seria suficiente para acalmar o mercado ou se, ao contrário, poderia abalar a confiança construída entre investidores e a atual gestão do BC. A definição ainda depende de encaminhamentos oficiais e de eventuais mudanças no grupo de nomes em discussão.
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