- A ata da reunião nº 276 do Copom sinaliza cautela otimista com a inflação e com a possibilidade de ajustes graduais na taxa Selic.
- No cenário externo, os riscos de longo prazo permanecem, mas houve arrefecimento da incerteza, com commodities contidas e condições financeiras favoráveis.
- No Brasil, as leituras de inflação mostram queda, com as leituras do IPCA e de medidas subjacentes em trajetória de arrefecimento.
- Câmbio mais valorizado e menor pressão de preços de bens industrializados e alimentos contribuíram para a inflação; a inflação de serviços também recuou, ainda que de forma mais resiliente.
- O foco está nas expectativas de inflação; o Relatório Focus aponta IPCA de 2026 em 3,99%, abaixo de 4% pela primeira vez desde o início de 2025, fortalecendo a credibilidade da meta e abrindo espaço para flexibilização cuidadosa.
O Copom divulgou nesta terça-feira, 3 de fevereiro, a ata da reunião nº 276. O documento aponta uma visão cautelosamente otimista para a inflação e para o rumo da taxa Selic, diante de sinais de desinflação gradual.
Na avaliação externa, o comitê observa que os riscos de longo prazo continuam presentes, mas há arrefecimento na incerteza. As condições financeiras permanecem favoráveis e os preços de commodities continuam contidos.
No cenário doméstico, as expectativas de inflação caíram segundo diversos instrumentos e agentes. O Copom aponta leitura de arrefecimento tanto do índice cheio quanto das medidas subjacentes, com impacto positivo para a possível flexibilização.
A ata destaca que um câmbio mais estável e o comportamento mais moderado das commodities contribuíram para a queda da inflação de bens industrializados e de alimentos. A inflação de serviços também recuou, embora de forma mais resistente.
Essa mudança representa uma inflexão no tom do Copom, que antes defendia política monetária restritiva por prazo prolongado. A autoridade sinaliza, a partir de agora, avanços na desinflação e ajustes graduais na Selic, condicionados aos dados.
O documento reforça que a principal âncora é o comportamento das expectativas de inflação. O Focus divulgado na véspera aponta IPCA de 2026 em 3,99%, abaixo de 4% pela primeira vez em meses, reforçando a credibilidade do regime de metas.
Outra mensagem relevante é a percepção de melhoria no ambiente externo, com menor volatilidade financeira e pressões inflacionárias globais. Esse cenário reduz a probabilidade de choques cambiais e facilita ajustes monetários locais, de forma cuidadosa.
Perspectivas
O humor dos investidores se manteve distendido, com contratos futuros de índices americanos registrando leve alta nesta terça. O mercado permanece volátil e sem tendência definida, acompanhando o ritmo dos dados.
Indicadores
Brasil: Ata do Copom, Inflação Fipe (Jan), Produção Industrial (Dez). Observado 0,21% na Inflação Fipe de janeiro, anterior 0,32%. Produção Industrial de dezembro mostra expectativa de queda de 0,8% e variação de 12 meses em +1,0%.
Estados Unidos: sem indicadores relevantes publicados até o momento.
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