- No ano passado, os setores de energia limpa responderam por mais de noventa por cento do crescimento dos investimentos na China.
- O conjunto de fabricação, instalação e exportação de baterias, carros elétricos, solar, vento e tecnologias relacionadas gerou 15,4 trilhões de yuan, equivalente a 11,4% do PIB.
- O valor real desses setores quase dobrou entre 2022 e 2025, tornando-se maior do que a economia de muitos países.
- A maior parte da capacidade adicional atende à demanda interna, com expansão expressiva de geração de energia eólica e solar.
- Apesar do avanço, o país manteve propostas para novas usinas a carvão, totalizando 161 gigawatts, com decisões sobre o roteiro energético a ser definido no plano quinênio.
A energia limpa impulsionou mais de 90% do crescimento de investimentos da China no ano passado, aponta uma análise recente. O setor engloba fabricação, instalação e exportação de baterias, veículos elétricos, solar, eólica e tecnologias relacionadas. A expansão ocorreu mesmo com tarifas e apoio aos fósseis nos Estados Unidos.
A pesquisa, realizada pelo Centre for Research on Energy and Clean Air e publicada pelo Carbon Brief, mostra que os setores chineses de energia limpa quase dobraram de valor real entre 2022 e 2025. Em 2024, geraram 15,4 trilhões de yuan em negócios, equivalente a 11,4% do PIB.
Ao longo do período, a participação das energias renováveis no PIB chinês ficou acima de um terço, com o país cada vez mais dependente desses setores para sustentar o crescimento econômico. O país estaria perto de cumprir a meta de evitar cortes de crescimento, caso sustente o impulso das renováveis.
Desempenho de investimentos e impacto
A maior parte da capacidade adicional está sendo destinada ao atendimento da demanda doméstica, com expansão de parques eólicos e solares que, recentemente, supera o dobro do ritmo mundial. Analistas ressaltam que a transição envolve mudanças sistêmicas na infraestrutura.
As exportações também avançam rapidamente. A energia solar chinesa tem sido creditada pela IEA como fornecendo a eletricidade mais barata da história, ampliando o acesso em países do sul global. O dinamismo externo reforça a posição de Pequim como líder manufatureiro.
Lauri Myllyvirta, pesquisador da análise, afirma que a o incentivo a energia limpa não se restringe à geração de energia, mas representa uma mudança no funcionamento do sistema econômico. Ele aponta que outros países já aceleram a adoção de solares e EVs.
Perspectivas e desafio de coal
Caso a China mantenha a velocidade de transição, o país pode alcançar a redução de carbono no nível mundial mais cedo, marcando um ponto de inflexão global. Contudo, a indústria do carvão segue como força política relevante, com propostas para 161 GW de novas usinas a carvão no ano passado.
Entre 2024 e 2026, as autoridades devem esclarecer o rumo no próximo plano quinquenal. Enquanto isso, especialistas destacam que a aposta em renováveis precisa conviver com a ampliação do carvão, o que pode influenciar custos e ativos encalhados no sistema energético.
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