- Em 2009, Peter Mandelson, então secretário de negócios, enviou por e-mail a Jeffrey Epstein que tentava mudar a política sobre bônus de bancos, sugerindo que Jamie Dimon pressionasse o então chanceler Alistair Darling.
- As mensagens mostraram Mandelson alinhado aos bancos contra colegas do governo, provocando revolta entre insiders do Tesouro na época.
- Naquele momento, Darling decidiu aplicar um imposto extraordinário de cinquenta por cento sobre bônus acima de R$ 25 mil libras, em resposta à pressão pública.
- Hoje, com Rachel Reeves no governo, não houve taxação de windfall para bancos, e Dimon elogiou o orçamento, citando planos para um novo HQ no Reino Unido.
- Analistas e aliados discutem que, apesar das mudanças de cenário, o embate entre políticas progressistas e o poder do setor financeiro persiste, com críticas sobre a posição estratégica do Labour diante da banca.
Peter Mandelson voltou a ser tema de debate no contexto da taxação de bancos no Reino Unido. Em 2009, ele sugeriu discretamente a intervenção de JP Morgan junto ao então chancellor Alistair Darling para pressionar mudanças na política de bônus dos bancos.
A revelação envolve uma troca de e-mails com Jeffrey Epstein, na qual Mandelson sinalizou que buscava influenciar a política de bônus e recomendou nova rodada de lobby, apontando Jamie Dimon, chefe do JP Morgan, como interlocutor.
A crise financeira daquele período levou o governo a injectar recursos públicos na banca para evitar o colapso do sistema. Naquele cenário, Darling adotou uma taxa extraordinária de 50% sobre bônus acima de 25 mil libras.
Darling registrou que Dimon ficou extremamente irritado com a ideia da taxação, segundo memória do ex-ministro. O relato aponta que Dimon questionou a compra de dívida do Reino Unido, associando a posição a futuras decisões de investimento.
Apesar da pressão, Darling manteve a estratégia de taxação anunciada, alimentando o debate sobre a relação entre governo e setor financeiro em plena recuperação econômica. A ideia de taxar lucros excepcionais voltou a aparecer em discussões públicas.
Hoje, novos protagonistas sintonizam o tema. Jamie Dimon divulgou uma nota positiva sobre o orçamento de Rachel Reeves, anunciando planos para um novo HQ no Reino Unido, em meio a rumores de que não haverá banco com Windfall Tax.
Parlamentares e especialistas criticam a influência das grandes instituições sobre decisões de política econômica, citando propostas de IPPR que defendem uma taxação de cerca de 8 bilhões de libras anuais, o que acende o debate sobre o equilíbrio entre crescimento e regulação.
Antes do segundo orçamento de Reeves, a relação entre governo e setor financeiro voltou a ganhar casos de lobby. Varun Chandra, cômodo do governo para relações com o setor, participou de um evento em Nova York com executivos de Dimon, em meio a relatos de pressões para flexibilizar o uso de receitas da reforma tributária.
Faiza Shaheen, diretora da Tax Justice UK, crítica de campanhas de desregulamentação, observa que havia receio entre a esquerda de se posicionar contra o setor financeiro, ainda que haja debate sobre políticas públicas. Reeves defende firmeza frente à pressão empresarial.
Entre os emails divulgados, há indícios de alinhamento entre Mandelson e o setor bancário na contramão de regulações mais rigorosas pós-crise, reforçando a percepção de que o embate entre políticas progressistas e o poder financeiro permanece atual.
Em 2025, o governo de Labour evita impor nova taxação ampla sobre bancos, enquanto o BoE sinaliza flexibilização de requisitos de capital pela primeira vez desde a crise. Analistas lembram que lições do passado continuam no centro do debate econômico.
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