- Venezuelan engineers, geologists e cientistas ajudaram a desenvolver as areias de petróleo no Canadá, especialmente em Calgary, Edmonton e Fort McMurray, nos últimos anos.
- A entrada maciça de profissionais venezuelanos ocorreu a partir de ondas migratórias iniciadas no início dos anos dois mil, em meio à queda da indústria petrolífera venezuelana após o regime de Hugo Chávez.
- Alguns venezuelanos ocupavam cargos relevantes na PDVSA e, após migrar, passaram a liderar pesquisas e projetos em tecnologia para o petróleo pesado no Canadá.
- Mesmo com ações de recuperação da indústria venezuelana no futuro, uma migração de retorno em grande escala é improvável, pois muitos profissionais já criaram vidas estáveis no Canadá e useriam da experiência acumulada.
- Analistas ressaltam que, mesmo com possíveis mudanças políticas, o retorno em massa depende de acordos estáveis e de um novo marco legal na Venezuela, o que ainda não ocorreu.
Venezuelanos que impulsionaram o crescimento das óleo-sands no Canadá podem não retornar ao país de origem. Profissionais formados no exterior desenvolveram projetos em Calgary, Edmonton e Fort McMurray, ajudando a transformar o setor de energia canadense.
Entre eles, está o engenheiro Luis Cabana, que chegou ao Canadá em 2006. Ele relata que, na região central de Calgary, muitos expatriados venezuelanos ocupavam vagas-chave em empresas de energia, tornando-se parte essencial do mercado local.
A história se associa à queda brasileira na produção de petróleo na Venezuela, acompanhando o início do milênio. Após o governo de Hugo Chávez, a indústria venezuelana atravessou um abatimento significativo, enquanto o Canadá expandia as óleo-sands.
Pesquisadores entrevistados pela Reuters, em Calgary, destacam que o Canadá ganhou acesso a profissionais com décadas de experiência em petróleo pesado. Trabalhos anteriores em PDVSA foram citados como porta de entrada para novas equipes no Canadá.
Lino Carrillo, recrutado pela Suncor em 2004, relembra o choque térmico entre Caracas e o Norte do país. Para ele, o know-how venezuelano ajudou a acelerar o desenvolvimento das operações, mesmo que o Canadá tenha seguido com investimento próprio.
Mesmo com sinais de melhoria na Venezuela, a probabilidade de uma migração de retorno é considerada baixa. A maioria dos especialistas entrevistados já instalou raízes em cidades do norte, com vínculos profissionais e familiares consolidados.
Perspectivas no cenário atual
A análise aponta que, para 2026, novos aportes de Venezuela ao mercado canadense enfrentam obstáculos políticos e econômicos. Empresas americanas demonstram cautela com projetos de longo prazo sem estabilidade institucional clara.
O retorno em massa de profissionais venezuelanos permanece improvável, segundo entrevistas com ex-representantes do setor. Muitos seguem atuando em pesquisa, tecnologia e gestão de óleo pesado no Canadá.
Fontes destacam que o fluxo migratório foi decisivo para o amadurecimento da indústria de óleo bruto pesado no Canadá, mantendo o país como líder global no setor. A situação, no entanto, não inverte a tendência recente de desfasamento entre as duas nações.
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