- Em 2025, o Brasil teve 5,6 mil empresas em recuperação judicial, taxa de crescimento de 24,3% em relação ao fim de 2024.
- No ano anterior, 1,6 mil empresas recorreram à Justiça para tentar sobreviver, enquanto 561 conseguiram sair do processo.
- No quarto trimestre de 2025, 510 companhias entraram em recuperação judicial, o maior volume já observado, 7,5% acima do trimestre anterior.
- As 510 empresas do último trimestre acumularam dívidas de 40 bilhões de reais, mais que o dobro do trimestre anterior (16 bilhões), com a Unigel sozinha respondendo por 19 bilhões.
- Regionalmente, Mato Grosso do Sul registrou aumento de 84% de empresas em recuperação em 2025, com o agronegócio sendo o setor mais afetado e soybean respondendo por 217 casos no fim de 2025.
O número de empresas em recuperação judicial no Brasil bateu recorde em 2025, alcançando 5,6 mil companhias em reestruturação. O dado representa um aumento de 24,3% em relação ao fim de 2024 e acende alerta para 2026, com mais pedidos ainda em curso.
No ano passado, 1,6 mil empresas recorreram à Justiça para tentar sobreviver, e apenas 561 conseguiram sair do processo. O ritmo acelerou no fim de 2025, com 510 recuperações no último trimestre, 7,5% acima do período anterior, o maior da série histórica.
Entre os fatores apontados pelos especialistas, a taxa básica de juros elevada, mantida em 15% por cinco reuniões do Copom, encarece dívidas e agrava o fluxo de caixa. Dificuldade de acesso a crédito também pesa, sobretudo após fraudes corporativas recentes.
O levantamento indica ainda crescimento expressivo do endividamento dessas empresas: as 510 que buscaram recuperação no quarto trimestre declararam dívidas de 40 bilhões de reais, mais que o dobro do trimestre anterior.
Quase metade desse montante está concentrada na Unigel, petroquímica que entrou em recuperação judicial em outubro de 2025 com passivo de 19 bilhões. A lista também inclui Ambipar, Bombril e Intercement.
Apesar do recorde, a recuperação judicial ainda representa uma fatia pequena do total de empresas ativas. O Índice RGF aponta 2,13 empresas em crise a cada mil, com maior gravidade na agropecuária, indústria e infraestrutura.
No campo regional, Mato Grosso do Sul registrou a maior alta proporcional de insolventes em 2025, com 68 companhias, alta de 84% no ano. O agronegócio lidera, especialmente soja e bovinos, segundo o levantamento.
No quarto trimestre de 2025, 493 empresas do agro estavam em recuperação judicial, aumento de 67% ante o mesmo período de 2024. A crise no cultivo de soja envolve 217 empresas nessa condição, acima do dobro de 2024.
Especialistas destacam que o cenário pode piorar em 2026, com impactos em cadeias produtivas maiores e possíveis efeitos cascata sobre pequenas e médias empresas, diante de oscilações cambiais e incertezas eleitorais.
Autoras da apuração ressaltam que planos de recuperação dependem de continuidade de políticas de juros estáveis e renegociações de dívidas para manter o fluxo de caixa das companhias.
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