- Santiago Navratil, de formação em Comércio Exterior, criou a Genetics Biobanking após identificar falhas regulatórias no Uruguai que dificultavam a comercialização de material de propagação de cannabis.
- A empresa funciona como banco genético: o foco é a informação genética que permite replicação padronizada, com sementes, clones e cultivos apoiando um ativo rastreável e legal.
- Foi a primeira a obter licença do Instituto de Regulación y Control de Cannabis (IRCCA) para a venda legal de material de propagação, após quase três anos de trabalho, envolvendo genéticas do Uruguai, Argentina e Estados Unidos.
- Hoje a Genetics concentra cerca de três quartas partes dos registros genéticos do Uruguai, com cinquenta genéticas registradas e quinze variedades ativas, operando em El Pinar, Ciudad de la Costa, com investimento de US$ 600 mil e equipe de 10 a 20 pessoas.
- O plano inclui exportação de material para o Brasil, avanços em pesquisa oncológica pediátrica e a ideia de transformar o Uruguai em hub genético regional com denominação de origem para a cannabis uruguaia.
A Genetics Biobanking, criada por Santiago Navratil, surge observando uma lacuna no Uruguai entre a regulação da cannabis e o mercado de propagação. O empreendedor, de formação em Comércio Exterior, deixou o emprego para estudar biotecnologia e desenvolver a empresa.
A decisão ocorreu após a aprovação da lei cannabis no Uruguai, em 2014. Navratil percebeu o potencial médico e científico da planta e viu uma oportunidade de criar um setor com maior robustez regulatória.
A empresa atua como um banco genético. O produto é a informação genética que permite reproduzir plantas de forma padronizada, rastreável e legal, e não a venda de flores ou óleos.
Genética e licença regulatória
A Genetics foi a primeira a obter licença do IRCCA para comercializar material de propagação. O processo levou quase três anos, envolvendo catalogação de genéticas e construção de infraestrutura específica.
Atualmente, a empresa concentra cerca de 75% dos registros genéticos do Uruguai, com 50 genéticas registradas e 15 variedades ativas. Quarenta genéticas foram incorporadas no último ano.
Operação, rastreabilidade e escala
A empresa controla toda a cadeia de produção, adicionando rastreabilidade molecular vinculada ao DNA de cada planta. O objetivo é assegurar perfis de fitocanabinoides estáveis e conformidade sanitária internacional.
A Genetics pode produzir até 4.000 clones por mês, em El Pinar, cidade da Costa, com investimento inicial de cerca de US$ 600 mil. A equipe varia entre 10 e 20 pessoas conforme o ritmo de atividade.
Expansão internacional
Embora tenha a atuação central no Uruguai, o plano é expandir para o Brasil, com a primeira exportação de material de propagação para pesquisa em oncologia pediátrica. Navratil vê o Brasil como o grande marco de crescimento regional.
Para ele, o Uruguai funciona como laboratório e software: o valor está na informação genética transferível, que pode sustentar produção em larga escala no país vizinho. O objetivo é tornar o Uruguai um hub genético regional.
Visão de longo prazo
Entre as metas está a criação de uma denominação de origem para a cannabis uruguaia, valorizando condições climáticas locais, semelhante a vinhos. A ideia busca reconhecimento de origem e maior valor agregado.
O projeto segue com financiamento próprio, mantendo conversas com fundos de investimento para aproveitar o novo cenário regulatório internacional e a reclassificação da cannabis nos EUA.
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