- A Rio Tinto se afastou de uma possível fusão com a Glencore após não chegar a um acordo sobre avaliação, encerrando negociações que poderiam ter criado a maior empresa de mineração.
- A Rio Tinto afirmou que não fará uma oferta pela Glencore e, sob regras do Reino Unido, não poderá buscar a empresa por pelo menos seis meses, salvo circunstâncias específicas.
- A Glencore buscava uma relação de troca de ações que deixaria cerca de 40% da empresa combinada para seus acionistas; a Rio não aceitou o prêmio, e a Glencore não flexibilizou a posição.
- A Bloomberg News informou anteriormente que o acordo seria abandonado; as ações da Glencore caíram até 11% após a notícia.
- A ideia de fusão esteve em pauta há mais de uma década, com potencial de dobrar a produção de cobre da Rio Tinto e acrescentar cerca de 1 milhão de toneladas de crescimento futuro.
A Rio Tinto se afastou das negociações para adquirir a Glencore após um impasse sobre a avaliação do negócio. Segundo a empresa, não pretende fazer nova oferta e, sob as regras do Reino Unido, não poderá procurar a Glencore por pelo menos seis meses, salvo circunstâncias específicas. A informação já havia sido adiantada pela Bloomberg News.
As conversas começaram no início de janeiro e giravam em torno do prêmio que a Rio precisaria pagar. A Glencore buscava uma relação de troca de ações que deixaria cerca de 40% da empresa combinada em mãos de seus acionistas, de acordo com pessoas a par de tratativas. A Rio não conseguiu justificar esse prêmio, e a Glencore não estaria disposta a ceder nessa posição.
As duas empresas não comentaram os detalhes das negociações. Em nota, a Rio Tinto afirmou que não havia como chegar a um acordo que trouxesse valor aos seus acionistas. As ações da Glencore recuaram até 11% após a divulgação. A Rio, por sua vez, não confirmou mudanças de governança sem um prêmio considerado suficiente.
Histórico das negociações
A possibilidade de fusão entre as duas empresas foi discutida há mais de uma década. A ideia surgiu antes da crise financeira global de 2008 e voltou a ganhar força em 2014, quando a Rio rejeitou uma abordagem informal da Glencore. Em 2024, as tratativas foram retomadas com maior intensidade, mas não houve acordo.
A proposta, caso tivesse avançado, dobraria quase a produção de cobre da Rio Tinto, posicionando a empresa entre as maiores produtoras globais, especialmente diante de preços de cobre que flertam com recordes. O negócio também incluiria cerca de 1 milhão de toneladas de crescimento futuro de cobre no portfólio combinado.
As negociações fracassaram principalmente pela disparidade na avaliação do negócio e pela resistência da Rio Tinto a pagar um prêmio elevado, além de divergências culturais entre as duas empresas. As partes sinalizam continuidade de seus próprios focos estratégicos.
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