- O ex-presidente Donald Trump afirmou que quer aumentar os preços das moradias para quem é proprietário, durante reunião de gabinete, em vez de reduzi-los.
- A reportagem afirma que deregulação sozinha não resolve a crise; a desigualdade de renda é o principal motor da alta dos preços.
- Pesquisas indicam que os preços acompanham a evolução da renda média, especialmente com salários de trabalhadores com diploma potencializando o valor das moradias nas cidades.
- Em Houston, regiões com regras de zoneamento mais brandas viram aluguéis subir junto com o crescimento salarial de trabalhadores com diploma; em San Francisco, com regras mais rígidas, os aluguéis cresceram muito acima da renda de menos-educados.
- A ampliação da oferta de moradias pode reduzir preços, mas o efeito é lento; levaria décadas para tornar moradias acessíveis, e medidas adicionais como controle de aluguel trazem trade-offs.
Trump tem seus posicionamentos sobre habitação no centro do debate político, mas especialistas apontam limites ao que a desregulamentação pode resolver. A ideia de aumentar preços para beneficiar proprietários contrasta com evidências de mercado.
Pesquisadores estudaram cidades americanas para entender o papel da oferta e da renda. O aumento de preços acompanha a subida de rendimentos médios, mas não o crescimento de salários de trabalhadores sem diploma.
O estudo, envolvendo Universidade da Califórnia em Los Angeles, Londons School of Economics, Berkeley, Toronto e Georgia Tech, mostrou que a desigualdade de renda impulsiona o preço da habitação nas áreas urbanas.
Houston, com regras de zoneamento menos rígidas, viu aluguel subir de forma semelhante ao aumento de salários de graduados. Trabalhadores sem diploma não registraram o mesmo ganho de renda.
San Francisco, com regulação mais rígida, registrou alta de aluguéis acima do ganho salarial, levando a disparidades entre compradores de baixa renda e a população geral.
Especialistas calculam o tempo necessário para tornar moradia acessível ao trabalhador sem diploma. Em Nova York, o processo pode levar décadas, mesmo com aumento de oferta de 1,5% ao ano.
Os resultados indicam que ampliar a oferta pode reduzir preços, mas o ritmo pode ser lento. O estudo não endossa medidas de controle de aluguel nem propostas que reduzem a oferta.
Os autores ressaltam que a desalavancagem regulatória não resolve sozinha o problema. Medidas para ampliar o alcance de moradias acessíveis exigem planejamento e políticas diversificadas.
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