- E-mails do Departamento de Justiça mostram como Jeffrey Epstein recebeu acesso a titãs da tecnologia, trabalhando com pessoas como Peter Thiel, Elon Musk e outros, para investir em fundos e startups, incluindo a Coinbase.
- Entre 2015 e 2016, ele investiu US$ 40 milhões na Valar Ventures, fundo de Thiel, que apoiou empresas como Wise, Qonto e Xero; esse investimento cresceu para cerca de US$ 170 milhões.
- Em 2014, Epstein investiu US$ 3 milhões na Coinbase; vendeu metade da participação para a Blockchain Capital em 2018 por US$ 15 milhões, e o valor da empresa chegou a US$ 49 bilhões após o IPO de 2021.
- Além de ganhos, o material mostra perdas, como o investimento na Jawbone (perda total de US$ 10 milhões) e a não adesão a outras oportunidades, como ações secundárias da SpaceX e da Zalando.
- Os e-mails também revelam a relação com outros investidores e startups, incluindo contatos com Brock Pierce e warnings sobre reputação, sem confirmar ilegalidades por parte dos bilionários citados.
Jeffrey Epstein abriu portas no Vale do Silício a partir de uma rede de contatos com alguns dos nomes mais influentes da tecnologia, transformando isso em potencial financeiro próprio. Documentos do Departamento de Justiça divulgados recentemente revelam como esse acesso gerou investimentos em venture capital e em startups, incluindo a Coinbase. O que se sabe é que, mesmo com visitas e encontros com bilionários, as apostas de Epstein renderam pouco em comparação ao tamanho de sua rede.
Entre 2014 e 2017, Epstein manteve contato frequente com Peter Thiel, fundador do PayPal e investidor do Founders Fund. E-mails mostram que eles se reuniam, em sua maioria, para encontros e jantares. Em 2015 e 2016, Epstein comprometeu-se a investir US$ 40 milhões na Valar Ventures, fundo de Thiel, que apoiava fintechs fora do eixo do Vale do Silício. Ao longo dos anos, o investimento dessa relação cresceu, segundo fontes citadas pelo New York Times.
O caso também envolve a Coinbase. Epstein investiu US$ 3 milhões em 2014, quando a empresa valia cerca de US$ 400 milhões. Em 2018, ele vendeu metade da participação para a Blockchain Capital por US$ 15 milhões, sem esclarecer se manteve a outra metade até o IPO. A Coinbase abriu capital em 2021 e atingiu valor de mercado elevado desde então. Brock Pierce, ex-ator mirim e investidor em cripto, atuou como intermediário nesse negócio.
Investimentos
Os arquivos indicam que Epstein financiou diversos fundos de venture capital, como a Neoteny, liderada por Joi Ito. Ito, ligado ao MIT Media Lab, pediu desculpas publicamente em 2019 por haver se associado a Epstein. Em manter relações com investidores como Yuri Milner e Steven Sinofsky, Epstein buscou ampliar sua presença no ecossistema tecnológico, incluindo contatos com acadêmicos e pesquisadores de IA.
Alguns e-mails mostram tentativas de inserir Epstein em rodadas de due diligence de projetos como Layer1 e LedgerX, com a preocupação de ocultar sua identidade. Não há confirmação de investimentos nesses ativos, já que as negociações não foram concluídas segundo os documentos. Epstein também manteve contatos com outros nomes de peso no setor, mas nem todos resultaram em operações vultosas.
Além de investimentos diretos, Epstein estimulou relações com figuras como Noam Chomsky, Dimitr Hassabis e outros profissionais da IA. Em conversas com Thiel, chegou a sugerir investimentos em Spotify, apesar de recomendações contrárias. O interesse por tecnologias emergentes permaneceu intenso até poucos meses antes de sua prisão em 2019.
Oportunidades perdidas
Os e-mails revelam oportunidades que Epstein não soube aproveitar, incluindo ações secundárias da SpaceX quando a empresa valia US$ 22 bilhões. Também houve potencial não explorado na Zalando, que abriu capital em 2014. Em paralelo, projetos de fundos offshore propostos por Osborne e Burda não saíram do papel, e Epstein não investiu diretamente na Hedosophia, apesar de relações próximas com os envolvidos.
No conjunto de mensagens, aparecem também questionamentos sobre o impacto reputacional de associar-se a Epstein em determinadas operações. Há registro de discussões sobre como contornar a identificação de seu nome em processos de due diligence, sem que haja confirmação de investimentos efetivos nesses instrumentos. A partir de 2019, com a prisão de Epstein, muitos negócios não tiveram continuidade.
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