- O CEO da AstraZeneca, Pascal Soriot, chamou o acordo de preços de medicamentos entre Reino Unido e Estados Unidos de passo muito positivo, mas disse que não é suficiente para destravar o investimento de £ 200 milhões em Cambridge, que estava pausado.
- Soriot afirmou que a parceria UK-US pode melhorar o acesso a remédios, mas não resolve plenamente o desafio para produtos realmente inovadores, lembrando que apenas 40% dos medicamentos vendidos nos EUA estavam disponíveis na Europa.
- A AstraZeneca manteve a aposta no Reino Unido, porém teve atritos recentes com o governo britânico em relação aos preços de medicamentos e à disponibilidade de novas terapias no NHS; já havia cancelado uma expansão de £ 450 milhões em Speke, perto de Liverpool, no ano passado.
- A companhia divulgou projetos de investimento expressivos: US$ 50 bilhões em fábricas e laboratórios nos EUA até 2030 e US$ 15 bilhões de investimentos na China; a Nasdaq e a bolsa de Londres listam as ações, com desempenho positivo após o anúncio.
- Em termos financeiros, a AstraZeneca prevê crescimento de receitas em 2026 de taxas de um dígito médio a alto, com lucro central em alta casa de décimos; em 2025, as vendas aumentaram 8% e os lucros subiram 11%, com destaque para produtos de câncer.
Pascal Soriot, CEO da AstraZeneca, afirmou que o acordo de precificação de medicamentos entre Reino Unido e Estados Unidos, anunciado em dezembro, é um passo muito positivo, mas não deverá reiniciar o investimento de £200 milhões em Cambridge, que estava pausado desde setembro. A declaração ocorreu em meio a relatos sobre a relação entre a farmacêutica e o governo britânico.
Segundo o executivo, o acordo ainda não é suficiente para destravar de vez o projeto de desenvolver um centro de pesquisa no leste da Inglaterra. A AstraZeneca manteve, no entanto, o compromisso com o Reino Unido e busca avaliar a viabilidade prática do acordo no curto prazo.
Soriot destacou que os Estados Unidos continuam sendo o mercado mais atrativo do mundo, salientando a importância estratégica da atuação em solo americano. A empresa já anunciou investimentos significativos na China, avaliados em US$ 15 bilhões, e prevê investir US$ 50 bilhões em fábricas e laboratórios nos EUA até 2030.
A divulgação ocorre em meio a uma mudança recente na estratégia de listagem da companhia. A AstraZeneca passou a ter ações negociadas em Nova York, mantendo ao mesmo tempo sua cotação principal em Londres. A empresa afirma manter o foco no mercado britânico.
A relação com o governo do Reino Unido tem sido marcada por atritos sobre preços de medicamentos e a disponibilidade de novas terapias no NHS. O acordo de precificação suscita discussões sobre como facilitar o acesso a tratamentos inovadores sem comprometer a sustentabilidade do NHS.
No âmbito financeiro, a AstraZeneca projeta crescimento estável de vendas e lucro para este ano. A empresa espera atingir US$ 80 bilhões em vendas anuais até 2030, com crescimento de receita previsto em uma faixa de variação de alta em termos de câmbio constante e lucro principal em dígitos duplos baixos. O título da empresa subiu cerca de 2% em Londres na terça-feira.
No último ano, as receitas da AstraZeneca cresceram 8%, para US$ 58,7 bilhões, com lucro também em alta de 11%. No quarto trimestre, as vendas atingiram US$ 15,5 bilhões, desempenho ligeiramente acima das expectativas de analistas. As vendas de oncologia cresceram 20% no período, atingindo US$ 7 bilhões, enquanto itens de cardiovascular recuaram 6%, devido à concorrência de genéricos.
Soriot ressaltou que a AstraZeneca opera com 16 medicamentos blockbuster, produtos com vendas anuais superiores a US$ 1 bilhão, e planeja chegar a 25 até 2030. A companhia mantém mais de 100 ensaios clínicos em fase avançada e espera apresentar resultados de mais de 20 deles neste ano.
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