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Reputação do USDA é impactada por revisões na área de milho nos EUA

Revisões do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos elevam a área colhida de milho, abalam confiança de produtores e emperram previsões de preços

REUTERS Colheita de milho em Maringá
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  • O USDA revisou significativamente a área colhida de milho, batendo 91,3 milhões de acres — 5,2% acima de junho e o maior nível desde a década de 1930.
  • Milhares de funcionários deixaram o órgão no ano passado, parte da redução de pessoal promovida pelo governo, o que levantou dúvidas sobre a confiabilidade dos dados.
  • A revisão levou a aumentos nas estimativas de área plantada e, por consequência, na de produção de milho, impactando negativamente os preços futures, que caíram em torno de 5,4%.
  • Analistas e produtores acompanham os relatórios do USDA para prever preços, estoques e oferta, dada a importância do milho para alimentação, etanol e indústria de alimentos.
  • O Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas do USDA iniciou uma revisão interna, após dificuldades no processamento de dados, com atrasos atribuídos à redução de pessoal na Agência de Serviços Agrícolas.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) é alvo de dúvidas sobre a confiabilidade de seus dados após uma grande revisão na área de milho e uma redução expressiva no quadro de funcionários. A agência elevou, de forma acentuada, a estimativa de hectares plantados e colhidos de milho, reduzindo o espaço para questionamentos sobre qualidade das informações.

Agricultores, comerciantes de grãos e economistas acompanham os relatórios mensais do USDA sobre produção, oferta e demanda para orientar preços e estoques. Milhares de funcionários deixaram o órgão no ano passado, em meio a uma agenda de cortes do governo federal. Especialistas discutem impactos na precisão dos dados.

As alterações ocorreram depois de uma revisão interna solicitada pelo Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas (NASS). Em janeiro, o USDA divulgou números recordes sobre a área de milho plantada e colhida em 2025, com aumentos significativos frente a estimativas de junho anterior.

O serviço de estatísticas do USDA sofreu atrasos de processamento, segundo fontes da Agência de Serviços Agrícolas. A queda no quadro de pessoal impediu o envio rápido de dados sobre o plantio ao NASS, atrasando o panorama da área cultivada.

“A taxa de informações disponíveis ficou menor para o NASS”, afirmou um ex-subsecretário adjunto, ressaltando que as estimativas ganharam incerteza. O nível de confiança das projeções passou a ser assunto de debate entre analistas.

Ajustes massivos na colheita

O milho, maior safra dos EUA, atende à alimentação de animais, produção de etanol e uso em alimentos. No mês anterior, era esperado que o USDA mantivesse estável a área colhida, mas a agência a reajustou para 91,3 milhões de acres, 1,3% acima da leitura anterior e 5,2% acima de junho.

Analistas destacaram que “acres surgindo em todos os lugares” contribuíram para o ajuste. Em média, revisões de área colhida costumam ser pequenas, com quedas ocasionais provocadas por moretos climáticos.

A elevação levou a um aumento inesperado na produção prevista de milho e derrubou os preços futuros em cerca de 5,4%. A mudança afetou também as expectativas de oferta global divulgadas pelo USDA.

O USDA estimou a área plantada com base em pesquisas com quase 68 mil agricultores, que vêm se tornando menos propensos a participar. A agência publicará, nesta terça-feira (10), novos dados sobre oferta e demanda global de grãos e oleaginosas.

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