- A pesquisa da Royal Institution of Chartered Surveyors aponta sinais provisórios de recuperação no mercado imobiliário de Inglaterra e País de Gales, com mais otimismo em janeiro e 35% dos membros prevendo alta de vendas nos próximos 12 meses.
- A procura de novos compradores ainda caiu, com um saldo líquido de -15%, mas acima das quedas vistas em dezembro e novembro.
- O volume de vendas acordadas ficou em -9%, o menor nível negativo desde junho de 2025.
- O índice de preços das casas ficou em -10%, a menor queda desde outubro, sugerindo possível ponto de reversão.
- O cenário permanece incerto e dependente da trajetória das taxas de hipoteca e da confiança macro. O impulso “de fim de ano” contrastou com preocupações de despesas, taxas de juros e incerteza econômica; Barratt Developments Redrow apontou queda de 13,6% no lucro antes de impostos, e Bellway divulgou maior demanda no período, com 4.702 casas concluídas, alta de 2,7%.
O mercado imobiliário de Inglaterra e País de Gales apresenta sinais provisórios de recuperação após meses de queda, segundo a pesquisa da Royal Institution of Chartered Surveyors (Rics). Inquéritos mostram que consultas de compradores, negócios fechados e preços começaram a ficar menos negativos em janeiro.
A Rics apontou que 35% dos membros esperam alta nas vendas nos próximos 12 meses, indicando um otimismo maior em relação a dezembro de 2024. A ferramenta mede a diferença entre agentes que relatam otimismo e pessimismo.
Ainda assim, a demanda de novos compradores continua fraca, com -15% de respostas apontando queda nas consultas em janeiro. O indicador mostrou uma redução da negatividade frente a dezembro (-21%) e novembro (-29%).
O volume de vendas acordadas também ganhou fôlego, com -9% no saldo, o menor negativo desde junho de 2025. Preços, por sua vez, sinalizam um possível ponto de virada, com o índice de preços em -10%, melhora em relação ao piso de -19% em outubro.
Simon Rubinsohn, economista-chefe da Rics, destacou que há sinais iniciais de melhoria, mas a atividade permanece contida e a recuperação deve ser gradual. A leitura reforça a necessidade de acompanhar as evoluções de custo de financiamento.
O impacto da incerteza econômica enfrentada pelo setor ficou evidente anteriormente, com o orçamento de outono gerando receios sobre mudanças do stamp duty e do imposto sobre ganhos de capital. Nenhuma dessas medidas foi anunciada.
Alguns agentes destacaram um “renovado ânimo” no início de 2026, enquanto outros continuam preocupados com a incerteza econômica, as taxas de juros e o custo de vida. A trajetória futura ainda depende de fatores macroeconômicos.
Desempenho de grandes incorporadoras
Barratt Developments, Redrow e Bellway sinalizaram atividade contida antes do orçamento de outono, segundo seus resultados recentes. Barratt Redrow registrou queda de 13,6% no lucro pré-imposto subjacente no semestre, até dezembro, e reduziu dividendos.
A empresa também informou conclusão de 7.444 casas no período e expectativa de 17.200 a 17.800 unidades no ano. A reação do mercado refletiu a confiança do consumidor ainda pressionada pela economia.
A Bellway, por sua vez, informou conclusão de 4.702 casas no semestre a janeiro, aumento de 2,7% frente ao mesmo período de 2025. A consultoria destacou que a demanda foi afetada pela incerteza que antecedeu o orçamento governamental.
As informações destacam que, embora haja sinais de recuperação, o ritmo ainda depende do comportamento de taxas de hipoteca e da confiança macroeconômica, segundo as avaliações da Rics.
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