- O Santander Brasil projeta Selic em 12% no fim de 2026, mais otimista que a previsão média do Focus, de 12,25%.
- A visão do banco é de que a eleição presidencial não deve alterar significativamente as decisões do Banco Central no curto prazo.
- O cenário fiscal é apontado como o principal desafio de curto e médio prazo, com dívida pública em torno de 20 pontos percentuais do PIB acima da média de emergentes.
- A inflação deve recuar e o câmbio pode ajudar, mas o prêmio Brasil e a postura fiscal expansionista continuam determinantes para a trajetória de juros.
- Para 2026, o Santander espera PIB em torno de 1,5%, inflação próxima de 3,7%, e câmbio médio de R$ 5,40, encerrando o ano em cerca de R$ 5,90.
A经理 economia do Santander projeta Selic em 12% no fim de 2026, mesmo diante de consenso de queda até 12,25% ao término de 2026. A visão vem após avaliação do cenário fiscal, inflação e ritmo de atividade. A notícia surge em meio a expectativa de novo ciclo de cortes para março, segundo dados de Focus.
Para o Santander Brasil, inflação mais baixa e deterioração menor da atividade justificam a projeção mais otimista. O economista Marco Antonio Caruso aponta que o BC deve apenas reagir aos dados, sem planejar cenários A ou B com base na eleição.
Caruso afirma que a eleição presidencial tende a ficar disputada, sem definição clara de vencedor ou de política fiscal para os próximos quatro anos. Mesmo assim, o BC provavelmente não mudará abruptamente de curso por causa do cenário eleitoral.
Segundo ele, após a eleição podem ocorrer duas trajetórias: continuidade do que já existe ou mudança que exija ajuste fiscal. Em ambos estados, a consolidação fiscal será essencial, ainda que o ritmo varie.
Sobre o BC, o economista sustenta que a cautela em cortes é necessária para contrabalançar uma postura fiscal expansionista no segundo semestre de 2025. O objetivo é evitar superaquecimento da demanda diante de estímulos.
O Santander também destaca que o câmbio tem influenciado o humor do investidor. A valorização do real ocorreu apesar do prêmio Brasil, e a dívida pública superior ao similar emergente sustenta a percepção de risco.
Em termos de projeções, o banco mantém dólar em trajetória de alta no segundo semestre de 2026. A instituição estima câmbio médio de R$ 5,40 em 2026, com fechamento próximo a R$ 5,90 no ano seguinte.
Cenário macro para 2026
A instituição percebe forças opostas: cortes de juros à vista, porém com calibragem, e gasto público com isenção de IR para faixas de renda mais altas, além de reajuste do salário mínimo. O resultado seria queda gradual da inflação e desaceleração do PIB.
Além disso, a taxa de desemprego deve permanecer baixa, enquanto a inflação cede devido a atividade mais fraca e câmbio relativamente firme. O Santander projeta 1,5% de crescimento do PIB em 2026.
O que explica o prêmio Brasil
De acordo com a visão do Santander, o prêmio Brasil deriva de gastos que não entram na meta fiscal, elevando a dívida. A relação dívida/PIB fica cerca de 20 pontos acima da média de emergentes, mantendo juros elevados.
As projeções indicam possível aproximação da dívida de 100% do PIB na próxima década, o que sustenta a necessidade de ajuste fiscal futuro, ainda que não haja um choque imediato.
Eleições e cenário externo
Para o Santander, disputas políticas mais acirradas reduzem o impacto imediato até as eleições, com efeitos mais vinculados ao pós-eleição. A instituição vê dois caminhos após o pleito: continuidade ou mudança, ambas exigindo endereçamento fiscal.
No cenário externo, a economia dos EUA deve crescer acima de 2% e a China apresentar sinais de recuperação, favorecendo emergentes. Riscos aparecem no segundo semestre, com possibilidade de menor possibilidade de cortes pelo Fed.
A instituição projeta câmbio médio de R$ 5,40 em 2026, com o dólar em torno de R$ 5,90 no fim do período, refletindo a sensibilidade a ventos externos e políticas domésticas.
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