- O euro digital será criado pelo Banco Central Europeu para proteger as bandeiras de cartões europeias e manter os bancos no centro dos pagamentos na zona do euro.
- O modelo prevê contas abertas junto ao banco central, o que levanta receios de que as instituições percam parte do processamento de pagamentos.
- O objetivo é preservar a posição central dos bancos, já que soluções privadas, como stablecoins, podem reduzir o papel deles no sistema.
- O BCE pretende que o euro digital seja mais barato para lojistas do que redes internacionais, e mais caro do que os sistemas de pagamento domésticos; redes nacionais podem se beneficiar.
- Após atraso de dois anos, o Parlamento Europeu deu o primeiro apoio significativo ao euro digital neste mês, congregando apoio que já vinha do Conselho da UE em dezembro.
O euro digital, gerido pelo Banco Central Europeu (BCE), será criado para proteger as bandeiras de cartões europeias e manter os bancos no centro do sistema de pagamentos da zona do euro. A afirmação foi feita nesta quarta-feira por um alto funcionário do BCE.
Segundo o BCE, a moeda, cuja gestão ocorrerá por meio de contas abertas pelos usuários junto ao banco central, busca evitar que os bancos percam relevância no processamento de pagamentos, diante da digitalização.
O projeto também é visto como forma de manter o setor financeiro europeu resistente às soluções privadas e às moedas digitais de emissores externos. Piero Cipollone, membro do conselho executivo do BCE, deu as declarações ao comitê da ABI, a associação bancária italiana.
Papel dos bancos no sistema de pagamentos
Cipollone explicou que o euro digital preserva a posição central dos bancos nos pagamentos e evita perdas de receita e de dados de clientes para soluções privadas, incluindo stablecoins. A proposta visa manter o fluxo de informações necessárias para oferecer serviços adicionais.
O BCE quer proteger redes de pagamento nacionais, como o Bancomat italiano e o Bizum espanhol, assegurando que o euro digital permaneça mais econômico para lojistas do que redes internacionais. O custo nas transações deve ficar entre o preço doméstico e o internacional.
Apenas oito dos 21 países da zona do euro possuem um sistema nacional de pagamentos. O restante depende de redes globais, o que, segundo o BCE, eleva dependência de players internacionais. O euro digital seria uma alternativa acessível aos comerciantes.
Avanços regulatórios e contexto
O BCE classifica como risco estratégico a predominância de redes internacionais nas transações europeias, como Visa e Mastercard, após o enfraquecimento das relações transatlânticas. Dois anos de atraso na aprovação legislativa foram superados neste mês pelo Parlamento Europeu, com apoio significativo ao euro digital.
Em dezembro, o Conselho da UE também aprovou o projeto, que foi apresentado como essencial para a segurança econômica da Europa. A iniciativa permanece voltada para uso público e empresarial na zona do euro, com pagamentos disponíveis 24/7.
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