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Orfeu amplia negócios em MG: do café premium ao azeite

Orfeu aposta no azeite premium em Minas, adotando modelo boutique com alta qualidade, custo elevado e retorno de longo prazo, sujeito a clima e aprendizado

Depois do café, Orfeu constrói com o azeite um novo negócio de luxo e alto valor
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  • Orfeu, conhecida por cafés especiais, busca o azeite premium em Minas Gerais, mantendo foco na qualidade e em preço alto, não no volume.
  • O projeto começou em dois mil e nove, com primeiras azeitonas e testes, produção iniciando em dois mil e quatorze e aprovação da marca Orfeu em dois mil e vinte.
  • A fazenda Rainha, na divisa de Poços de Caldas (MG) e São Sebastião da Grama (SP), tem sessenta e cinco hectares de oliveiras, e a produção segue com alto custo e aprendizado agronômico em andamento.
  • Capacidade prevista é de até vinte mil litros anuais, partindo de duzentas toneladas de azeitonas; neste ano, foram cerca de cinco mil litros a partir de cinquenta toneladas.
  • O payback ainda não está definido, mas a operação é considerada lucrativa isoladamente e a empresa pretende atingir entre dez e quinze por cento do negócio em cinco a dez anos, mantendo o azeite como boutique de alto valor.

Após consolidar sua presença no mercado de cafés especiais, a Orfeu mira uma nova frente de negócios: o azeite premium. A estratégia prioriza qualidade e valor agregado, sem foco em escala, segundo executivos da marca em entrevista à Bloomberg Línea.

O projeto de oliveiras começou a tomar forma ao longo de anos. A validação veio por meio de concursos internacionais, que atestaram a qualidade do azeite. A colheita depende de janelas climáticas estreitas e o processamento precisa ocorrer em poucas horas para manter o perfil sensorial.

A produção é realizada em pequena escala, com custos elevados e baixa previsibilidade. O empreendimento envolve cerca de 65 hectares de oliveiras na fazenda Rainha, na fronteira entre Poços de Caldas (MG) e São Sebastião da Grama (SP).

Expansão para o azeite

Ricardo Madureira, CEO da Orfeu, descreve a operação como uma boutique, voltada ao topo da pirâmide de preços. A iniciativa começou em 2009 com testes e, em 2014, ganhou estrutura própria de extração de óleo.

A marca só passou a estampar o rótulo Orfeu em 2020, após validação externa em concursos internacionais. Hoje, o azeite representa menos de 5% da operação, com expectativa de crescer a 10%–15% em cinco a dez anos, conforme o carro-chefe é o café.

Desafios e visão de longo prazo

Fabio Gianetti, diretor de marketing, aponta escala de produção como principal desafio. A visão é manter qualidade elevada, mesmo com custos altos e demanda volátil. O objetivo é sustentar a operação no curto prazo e avançar no longo prazo, com aprendizados agronômicos.

A estratégia de precificação é aligning com o conceito de qualidade: reduzir量 para entregar perfeição e remunerar toda a cadeia pelo valor agregado. O resultado, segundo o executivo, é uma linha de azeites que compete com importados de alto padrão.

Potencial do mercado e próximos passos

O movimento busca diversificar receita, testar a cultura de oliveiras no Sudeste e reforçar o posicionamento premium da marca. Madureira ainda ressalta que o mercado brasileiro está amadurecido para produtos premium e que a crise europeia do azeite impulsionou o interesse local.

A direção da Orfeu afirma que o azeite, apesar de ainda pequeno, pode sustentar investimentos contínuos. A projeção é manter o foco em qualidade, educação do consumidor e crescimento gradual, sem abrir mão da especialização que caracteriza a marca.

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