- A maioria (seis em cada dez) avalia que a gestão do Orçamento público é um problema grave e que o governo gasta mais do que pode; 55% dizem que o governo federal gasta além do aceitável.
- A vinculação de gastos a salários mínimos persiste: benefícios como BPC, seguro-desemprego e abono estão atrelados ao salário mínimo; 78% apoiam que os benefícios sejam ajustados ao salário mínimo, mesmo com limitações do arcabouço.
- Emendas parlamentares e supersalários estão no alvo: 76% apoiam reduzir o valor das emendas; 55% apoiam totalmente a criação de uma lei para limitar supersalários (73% quando somados os que apoiam parcialmente).
- Dívida e regra fiscal aparecem como entraves: 58% consideram a dívida federal um problema muito grave; 58% dizem que a dívida deve chegar a 84% do PIB em 2026; 63% defendem regra que controle o crescimento dos gastos, com avaliações de que o arcabouço atual vale até 2027.
- Tarifa zero é tema de debate: 73% apoiam a ideia de tarifa zero para transporte público, mas 40% não aceitariam pagar mais impostos para financiar o benefício; custo estimado fica acima de 90 bilhões de reais.
O governo é visto pela maior parte da população como responsável por problemas graves na gestão do Orçamento público, segundo levantamento do Instituto Ideia. A pesquisa, encomendada pelo Movimento Orçamento Bem Gasto, ouviu 1.518 pessoas entre 3 e 8 de dezembro de 2025, em todas as regiões do país.
Entre os entrevistados, 55% acreditam que o governo federal gasta mais do que pode. A percepção de gravidade sobre a gestão do Orçamento atinge 60% dos respondentes. A corrupção aparece como o principal problema citado por 31%.
O estudo aponta ainda que a vinculação de gastos a pisos constitucionais, como saúde e educação, eleva o peso sobre as contas públicas. A maioria defende ajustes ao benefício do salário mínimo, com impactos para BPC, seguro-desemprego e abono salarial.
Emendas, supersalários e políticas de gasto
Ao perguntar sobre cortes, 76% apoiam total ou parcialmente reduzir emendas parlamentares. O Congresso aprovou, em 2026, R$ 62 bilhões em emendas, parte vetada ou retrabalhada pelo governo. O orçamento para 2026 reserva cerca de R$ 50 bilhões em emendas sob controle de congressistas.
Supersalários também aparecem como tema relevante: mais da metade dos entrevistados (55%) defenderia lei para limitar remunerações acima do teto. Junto disso, 73% apoiam total ou parcialmente haver mais controle sobre tais pagamentos. Economistas enfatizam que o tema ganha legitimidade para ajustes maiores.
Tarifa zero e custos
O tema tarifa zero para transporte público é discutido no governo. Um estudo encomendado pela Presidência analisa custos acima de 90 bilhões de reais. A Secretaria de Política Econômica não apresentou posição definitiva, mas órgão técnico apoiou a abertura para o projeto, sem confirmar adoção. A ideia recebe apoio de 73% da população, com 40% não dispostos a aumentar impostos para financiar o benefício.
Perspectivas e desafios fiscais
Os resultados indicam que, embora haja apoio a vinculação de despesas ao salário mínimo, muitos defendem maior flexibilidade para remanejamento de recursos. Economistas dizem que mudanças no arcabouço fiscal podem ser necessárias após 2027 para manter sustentabilidade das contas públicas. A pesquisa não representa posição oficial do governo.
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