- Brent chegou a passar de US$ 80 e fechou em US$ 77,74, alta de 6,7%, após ataques no Oriente Médio.
- Petrobras e PRIO aparecem como as ações brasileiras mais beneficiadas pela nova conjuntura, liderando altas no Ibovespa.
- O mercado passou de viés de queda de preços para prêmio de risco ascendente, com volatilidade ainda elevada, segundo o JP Morgan.
- No Qatar, a maior planta de gás natural liquefeito paralisou a produção, impulsionando o preço do gás na Europa.
- Analistas destacam que o cenário pode ser temporário, com foco no Estreito de Ormuz e em respostas geopolíticas, sem confirmação de interrupções generalizadas.
O Irã esteve no centro de atenções do mercado na última semana após ataques realizados por Estados Unidos e Israel. A ofensiva elevou geopolítica e preço do petróleo, com especialistas destacando a possibilidade de o barril superar US$ 100 dependendo do desenrolar dos fatos.
O Brent chegou a abrir em alta superior a 10%, superando a marca de US$ 80, o que não era visto por analistas, mas fechou em US$ 77,74, com alta de 6,7%. Muitos questionam se o choque é temporário ou mais duradouro.
Essa volatilidade levou bancos e corretoras a apontarem a PRIO e a Petrobras como empresas que mais podem se beneficiar da nova conjuntura. Ambas registraram ganhos na sessão desta segunda-feira, com a PRIO em 57,28 reais (+5%) e a Petrobras em 44,71 reais (+4,6%).
Reação de mercado e cenários
O mercado passou de uma visão de preços mais baixos por mais tempo para um prêmio de risco ascendente, segundo o JP Morgan. Mesmo com interrupções ainda não confirmadas, o banco projeta preços acima do cenário-base e volatilidade elevada.
Analistas observam impactos adicionais no Estreito de Ormuz, ponto estratégico por onde passam boa parte das exportações globais. No domingo, ataques no Irã atingiram uma rota-chave, estimulando empresas a evitar o tráfego, elevando custos de frete.
Outros ativos e riscos
No Catar, a maior planta de gás natural liquefeito sofreu paralisação após ataque, provocando volatilidade de preços do gás na Europa. Instituições financeiras destacam que eventuais novas interrupções poderiam ampliar o prêmio geopolítico sobre o petróleo.
O UBS sinalizou que, mesmo sem interrupção real, o risco político pode manter o mercado precificado com maior prêmio. O cenário depende da evolução das medidas de segurança na região, bem como de possíveis retaliações.
Perspectivas de curto prazo
O cenário de alta prolongada não é consenso entre os agentes. O Bradesco BBI aponta que a pressão inflacionária tende a limitar movimentos adicionais, caso a guerra tenha duração inferior a um mês. Se houver ataques a infraestruturas, o cenário poderia se deteriorar, mas há expectativa de moderação em semanas ou dias.
Analistas ressaltam que, historicamente, guerras no Golfo apresentam ganhos pontuais seguidos de recuos; entretanto, a atual escalada abre dúvidas sobre o comportamento dos mercados globais de energia.
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