- Shell rejeita exclusividade solicitada pelo BTG para separar ativos e capitalizar a Raízen, mantendo o BTG como possível “stalking horse”.
- Com a negativa, BTG e Perfin vetaram a participação da Cosan no aumento de capital, deixando o plano com menor capital novo (R$ 4 bilhões no total).
- Credores detêm aproximadamente R$ 30 bilhões em crédito e os bondholders cerca de R$ 33 bilhões, o que pode exigir maior conversão de dívida em equity.
- A proposta de separação de negócios ainda depende de acordo com credores; Shell sinaliza abertura à separação, desde que haja bom acordo com eles.
- Raízen conduzirá as negociações via Rothschild, enquanto a Shell será representada pela Lazard; Cosan atua sem advisor formal, alinhada ao novo acionista de referência.
A disputa envolvendo a Raízen ganhou contornos severos após três semanas de negociações entre Shell, Cosan e BTG Pactual. A proposta buscava um aporte de mais de 5 bilhões de reais dos fundos do BTG para controlar a distribuição de combustíveis, desvinculando-a da Raízen. A ideia incluía a separação de ativos com prazo de até dois anos e havia discutões por Londres, em reuniões no Brasil e até com participação do Planalto.
A Shell resistiu a conceder exclusividade ao BTG e manteve que o banco atuasse apenas como *stalking horse*, ou seja, uma proposta que poderia ser coberta por outras interessadas. Com a negativa, BTG e Perfin vetaram a participação da Cosan no aumento de capital da Raízen, alegando que a operação depende da separação de ativos e de maior capitalização.
A resposta dos credores apontou que o plano, já reduzido a 4 bilhões de reais de capital novo, não seria suficiente para equilibrar a estrutura de capital da Raízen. A proposta mostrava que, sem a separação, o balanço continuaria pressionado. Nos últimos dias, havia sinal de avanço entre Shell e BTG, inclusive na negociação do contrato de marca para os postos Shell.
Quadro atual
Na segunda-feira, a Shell afirmou que não aceitaria os termos propostos para a separação dos ativos, levando o desfecho a depender exclusivamente dos credores. A decisão mudou o foco para o processo de negociação com bancos e detentores de dívida, que somam aproximadamente 63 bilhões de reais entre crédito e títulos.
Fontes envolvidas nas negociações indicam que a Shell pode aceitar a separação caso haja acordo sólido com credores, com alavancagem estimada em até 1,5x EBITDA para a Raízen Energia e 3,5x para combustíveis. O objetivo é tornar as operações sustentável a longo prazo, com pagamento da dívida em até 10 anos.
Próximos passos
As partes mantêm diálogo com os credores, que devem ser contatados para definir um caminho único. A Raízen conduzirá as tratativas via Rothschild, enquanto a Shell utiliza a Lazard. A Cosan não possui advisor formal, mas acompanha as tratativas junto aos acionistas. Não há previsão de RJ ou nova rodada de negociações com acelerador a curto prazo.
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