- O mercado de vinhos no Brasil movimentou cerca de R$ 21,1 bilhões em 2025, com alta de aproximadamente 9% ante o ano anterior, impulsionado pela retomada do consumo.
- O volume total abastecido chegou a 54,5 milhões de caixas de nove litros, subindo 9% e aproximando-se dos níveis pré-pandemia.
- Executivos apontam que o crescimento ocorre junto com uma pressão estrutural: maior oferta de vinhos que a demanda pressiona preços e margens ao longo da cadeia.
- A participação de importadores e a concorrência no varejo reduzem o multiplicador de preço, empatando custos de logística, financeiros e operacionais na cadeia.
- Observa-se premiumização: vinhos super premium cresceram cerca de 15% em 2025, vinhos premium cresceram ~10%, enquanto os de entrada recuaram cerca de 3%; mudanças regulatórias e acordos comerciais podem intensificar a competição.
O mercado de vinhos no Brasil movimentou cerca de R$ 21,1 bilhões em 2025, segundo dados apresentados na 11ª edição do seminário Adega Ideal, realizado nesta semana. O crescimento anual foi de aproximadamente 9%, impulsionado pela recuperação do consumo após ajuste de estoques.
O volume total abastecido atingiu 54,5 milhões de caixas de nove litros, um incremento de 9% frente a 2024. O avanço aproxima o mercado dos patamares observados no auge da pandemia e sinaliza retomada do setor.
Desafios de oferta e margens
Executivos do setor destacam que o crescimento vem acompanhado de dificuldades estruturais. A oferta de vinhos cresce mais rápido que a demanda, o que pressiona preços e margens ao longo da cadeia. O CEO da Ideal BI, Felipe Galtaroça, enfatiza que a demanda não acompanha o ritmo de oferta.
A análise da cadeia aponta aperto nas margens devido ao aumento de importações e à concorrência no varejo, que reduz o multiplicador de preço entre importação e consumidor final. Custos logísticos, financeiros e operacionais seguem elevados no país.
Impactos sobre diferentes faixas de preço
Com mais oferta e maior pressão promocional nos supermercados, parte do ganho de valor não fica com importadores e distribuidores, reduzindo a rentabilidade da cadeia. Mesmo com a moeda mais fraca desde 2018 e inflação acumulada, o repasse aos preços ao consumidor foi de apenas 13%.
O cenário é resultado de fatores locais e globais: o Brasil atrai produtores estrangeiros diante da desaceleração em mercados tradicionais e do acordo Mercosul-UE pode ampliar a competição nos próximos anos. Galtaroça ressalta que produtores europeus veem o Brasil como oportunidade.
Premiumização e diferenças setoriais
O consumo avançou de forma desigual entre faixas de preço, com maior resiliência nos vinhos de maior valor. O segmento super premium foi o que mais cresceu em 2025, cerca de 15% no faturamento, seguido pelo premium, com alta próxima de 10%. Vinhos de entrada registraram queda.
A Ideal BI aponta uma tendência de premiumização, com parte dos consumidores dispostos a pagar mais por rótulos de qualidade, mesmo diante de dificuldade econômica. O vinho é visto como mercado de luxo e de status, segundo o estudo.
Perspectivas e regulações
A reforma tributária brasileira pode simplificar impostos e reduzir diferenças entre estados, favorecendo padronização de preços. O acordo Mercosul-UE, se implementado, tende a reduzir tarifas de importação e ampliar rótulos estrangeiros no varejo.
Galtaroça afirma que o próximo ciclo de crescimento depende menos de expansão de volume e mais da profissionalização da cadeia e da formação de novos consumidores. O mercado brasileiro é considerado ainda jovem e em desenvolvimento.
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