- Relatórios mostram que IA está aumentando exigências e afetando pagamentos; estudo da OIT com NASK aponta que um em cada quatro empregos pode ser transformado pela IA generativa.
- Produtora de conteúdo Mariana Del Nero diz ter perdido job de uma cliente de mais de dez anos para IA em 2024, passou a usar mais ChatGPT e reduziu tempo de tarefa de duas horas para cerca de quinze minutos, mas sem aumento salarial.
- Designer Cássio Menezes teve venda de identidade visual caindo de R$ 3 mil para R$ 1,5 mil e comenta que clientes valorizam menos o trabalho humano, buscando pessoas que acumulem várias funções.
- Tradutora Maria Fernanda relata que a maior parte das oportunidades atuais é para revisão de textos traduzidos pela IA, mas o faturamento não caiu porque o tempo de trabalho é menor.
- Especialista Luciana Morilas recomenda valorizar a criatividade humana, não demonizar IA e aprender a usar ferramentas de IA para se manter relevante no mercado.
A popularização de ferramentas de IA, como ChatGPT e Gemini, está redesenhando o mercado freelance. Profissionais autônomos relatam que tarefas antes realizadas apenas por humanos passam a ser executadas com apoio de algoritmos, mudando a dinâmica de remuneração e demanda.
Um estudo conjunto da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Instituto Nacional de Pesquisa da Polônia (NASK, na sigla em polonês) aponta que cerca de um quarto dos empregos mundiais pode sofrer transformação com a IA generativa. O relatório foi divulgado em maio de 2025.
A ONU aponta que os impactos vão desde ganhos de produtividade até a redução de postos de trabalho em alguns setores. A reportagem com freelancers de diferentes áreas busca entender como as mudanças afetam a rotina de trabalho, remuneração e perspectivas.
Mariana Del Nero, produtora de conteúdo com 15 anos de experiência, descreve a experiência de 2024, quando uma cliente de longa data substituiu um texto de convite por IA. O episódio ocorreu logo após a solicitação, com entrega imediata do conteúdo pronto.
A profissional afirma que o episódio evidenciou a substituição de tarefas simples pela IA. Em resposta, passou a ampliar o uso de ferramentas digitais, posicionando-se como quem orquestra a IA do lado de quem contrata. O tempo de entrega reduziu, mas a demanda por serviços pontuais diminuiu.
Cássio Menezes, designer gráfico, relata a percepção de desvalorização dos serviços na prática. Em outubro de 2025, um cliente questionou o valor cobrado para a criação de identidade visual, citando a possibilidade de uso de IA. O contrato foi encerrado.
O profissional havia reduzido o preço ao longo de três anos, de cerca de 3 mil para 1,6 mil reais, ainda assim enfrentou resistência. Ele aponta que o mercado passou a exigir que um único profissional assuma várias funções para reduzir custos, com impacto no ritmo e na satisfação do trabalho.
Maria Fernanda, tradutora freelancer, nota mudanças a partir de 2024. A maioria das ofertas passou a envolver revisão de textos traduzidos por IA, com remuneração menor do que a tradução completa. Apesar disso, a agenda de trabalho se fortaleceu pela maior eficiência no tempo de tarefas.
Especialistas destacam caminhos para manter atuação relevante frente às IAs. A professora Luciana Morilas, da FEA-USP, recomenda valorizar a criatividade humana, destacando que algoritmos não replicam esse diferencial. Também incentiva o uso estratégico de IA para atividades simples, como transcrição e organização de cronogramas.
Para ficar atualizado, profissionais são orientados a combinar uso de IA com competências que exigem julgamento, ética e personalização. A convergência entre tecnologia e criatividade é apresentada como caminho para manter competitividade no mercado que deve continuar evoluindo.
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