- As cotações CFR da ureia no Brasil subiram 35% nas últimas duas semanas, impulsionadas pela redução da oferta global e por conflitos no Oriente Médio.
- Nos dois primeiros meses do ano, as importações de ureia caíram 33% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto as compras externas de sulfato de amônio cresceram 19%.
- A geopolítica e a instabilidade logística elevam os preços e forçam o setor a priorizar fertilizantes de menor concentração, com condições de aquisição mais favoráveis.
- Analistas destacam que produtores estão buscando substituição por fontes alternativas para proteger as margens, especialmente em um cenário de crédito mais restrito.
- O ritmo de importação e o peso do sulfato de amônio devem ganhar mais atenção na preparação para a safra de 2026, segundo especialistas.
O mercado brasileiro de fertilizantes vive uma mudança tática para 2026, impulsionada pela volatilidade dos custos de importação. Nas últimas duas semanas, a ureia registrou alta de 35% no CFR Brasil, acompanhando a redução da oferta global e o agravamento de conflitos no Oriente Médio.
Essa elevação impacta a balança comercial do setor: nas duas primeiras meses do ano, as importações de ureia caíram 33% ante o mesmo período de 2025, enquanto as compras de sulfato de amônio tiveram alta de 19%. A ureia é o principal nitrogenado utilizado na agricultura.
A instabilidade logística em regiões com grandes exportadores eleva os preços e dificulta o planejamento de safras. Com o insumo mais caro, produtores priorizam fertilizantes de menor concentração, cuja aquisição pode ser mais favorável em determinados momentos.
Os impactos se estendem às margens rurais, especialmente em cenários de crédito restrito e preço de commodities pressionado. Gestão financeira mais rigorosa passa a ser requisito para manter rentabilidade.
Geopolítica e oferta global
Análise da StoneX aponta que a valorização da ureia altera comportamento de importadores. A busca por fontes alternativas aumenta à medida que o custo sobe, ajudando a proteger margem.
Segundo o analista Tomás Pernías, a substituição por fertilizantes com menor concentração, como o sulfato de amônio, ganha espaço quando condições de compra são mais favoráveis.
Riscos e perspectivas
Tensões no Oriente Médio aparecem como principal catalisador do desequilíbrio. Setor teme novas restrições logísticas ou de produção, mantendo cotações elevadas.
O movimento já ocorreu em ciclos anteriores, com compras adiadas e ajustes na demanda. A tendência atual sugere maior peso do sulfato de amônio no mix de nutrição para a safra 2026.
Observa-se, portanto, uma vigilância maior sobre janelas de importação. A consolidação do sulfato de amônio como opção custo-eficaz pode se firmar nos próximos meses.
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