- Conselho da Oncoclínicas formalizou negociação não vinculante com a Porto Seguro, abrindo a etapa de due diligence.
- A empresa substituiu a diretora financeira Camille Loyo Faria por Marcel Cecchi Vieira, CEO da Latache, que passa a acumular também as funções de diretora de relações com investidores.
- A Porto Saúde, vertical do Grupo Porto, é uma das maiores fontes pagadoras da rede oncológica.
- Dívida bruta da Oncoclínicas chega a 4,8 bilhões de reais, com vencimentos de 745 milhões de reais ainda em 2026.
- Disputa no conselho: Latache controla a maioria dos assentos, Goldman Sachs mantém participação, e houve voto contrário nessas decisões; ações chegaram a subir nesta segunda-feira, mas mostraram perda de impulso.
Na Oncoclínicas (ONCO3), o conselho aprovou a assinatura de uma proposta não vinculante apresentada pela Porto Seguro, abrindo caminho para possível aporte bilionário na rede oncológica. A posição foi aprovada em reunião realizada na quinta-feira.
No mesmo dia, a controlante decisão de trocar o CFO foi anunciada. Camille Loyo Faria deixou os cargos de vice-presidente executiva, diretora financeira e de RI, e Marcel Cecchi Vieira, CEO da Latache, assumiu as três funções.
A proposta da Porto Seguro é o primeiro passo formal da negociação que envolve a Porto Saúde, vertical do Grupo Porto, uma das maiores pagadoras da Oncoclínicas. A formalização precede a due diligence.
Mudança de liderança e estrutura de governança
Cecchi Vieira passa a comandar a área financeira e o relacionamento com o mercado, além de ser o novo CFO. A Latache detém 14,62% da Oncoclínicas e controla cinco dos sete assentos do conselho, fortalecendo a influência da gestão externa.
A composição do colegiado ficou dividida entre Latache e Goldman Sachs, que manteve dois representantes. A Latache conta com cinco assentos, enquanto o Goldman mantém dois, com Grodetzky e Rosenthal substituindo David Castelblanco.
A tensão entre fundadores e investidores é antiga. Cinco assentos pertencem à Latache, e os outros dois ao Goldman, ampliando o embate já observado desde o IPO. A disputa envolve também grandes acionistas como Centaurus, Latache e MAK Capital.
Contexto financeiro e cenário de mercado
A Oncoclínicas enfrenta elevada alavancagem financeira. A dívida bruta chega a 4,8 bilhões de reais, com vencimentos de 745 milhões ainda em 2026. A Fitch rebaixou o rating da empresa para risco de inadimplência iminente.
Para reforçar o caixa, a empresa recorreu à Sicoob Credicom para antecipar pagamentos de Unimed BH e Unimed Recife, até 70 milhões de reais. O crédito tem CDI mais 0,6% ao mês.
Bancárias pendências continuam. A empresa convoca credores de cinco emissões de debêntures para votar, buscando um waiver para evitar default caso haja descumprimento de limites contratuais.
Reação do mercado e posicionamento das partes
As ações reagiram com alta inicial de até 12% na abertura, chegando a 2,08 reais, mas recuaram ao longo da sessão. Por volta das 13h, operavam em torno de 1,88 reais, com alta de 1,6%.
A Oncoclínicas não comentou o conteúdo das negociações. Até o momento, não houve confirmação oficial sobre o fechamento de um acordo com a Porto Seguro. As informações, porém, indicam andamento de conversas formais.
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