- A alta do preço do petróleo é vista como um risco para a expansão da aviação regional brasileira, segundo o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Juliano Noman.
- O combustível representa cerca de um terço dos custos das empresas aéreas, o que pode reduzir destinos e frequências, especialmente em mercados menores.
- O governo tem trabalhado para ampliar a malha regional com iniciativas como o programa AmpliAR, mas o cenário de custos mais elevados pode frear esse avanço.
- Pequenos mercados, com demanda mais limitada, são os mais impactados pela escalada de custos, com risco de inviabilizar rotas nesses trajetos.
- A Abear cobra ações públicas para mitigar a volatilidade do preço do combustível, citando a possibilidade de incluir o querosene de aviação em medidas de apoio, como já ocorreu com o diesel.
O preço do petróleo em alta preocupa o setor aéreo brasileiro, segundo o presidente da ABear, Juliano Noman. Ele afirma que a volatilidade pode frear a expansão da aviação regional, especialmente em rotas novas e conectividade. O momento coincide com a agenda governamental de ampliar a malha regional após décadas de encolhimento.
A elevação de custos impacta a gestão financeira das empresas, que já enfrentam dificuldades. O combustível representa cerca de um terço das despesas das aéreas, e a pressão cambial aumenta o peso das contas, já que as receitas são em real enquanto os custos são dolarizados.
Mercados menores devem sentir o efeito mais intenso, com demanda mais restrita. A expectativa é de que destinos pouco demandados possam se tornar inviáveis diante do cenário de custos mais elevados, segundo Noman.
A aviação regional, que utiliza aeronaves menores e opera em rotas de menor densidade, já registrou cerca de 30 companhias deixando de operar desde os anos 2000, com a Voepass sendo a mais recente a encerrar operações no ano passado.
O governo tem promovido a expansão da conectividade por meio de iniciativas como o programa AmpliAR, voltado a aumentar voos em cidades de menor porte. Contudo, o cenário de custos pode frear esse avanço, alerta a ABear.
Diálogo com o governo
A ABear defende medidas para mitigar o impacto da alta do combustível. O governo não incluiu o querosene de aviação na lista de subsídios para o diesel, o que, segundo a entidade, aumenta a volatilidade de custos e dificulta a expansão.
Noman disse que a entidade mantém diálogo com autoridades para buscar alternativas que atenue os efeitos da alta do petróleo. Ele reforçou a necessidade de coordenação entre setores, dada a repercussão ampla do choque de custos.
O executivo também citou o papel da Petrobras na formação de preços. Em fevereiro, antes da crise no Oriente Médio, a estatal reajustou em 9,4% o preço do QAV a partir de março, o que eleva ainda mais as pressões sobre as empresas.
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