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Arauco evita status junk ao construir a maior fábrica de celulose no Brasil

Celulosa Arauco avança com a usina Sucuriú, mirando manter grau de investimento diante de dívida elevada e preços de celulose voláteis

O projeto Sucuriú, de US$ 4,6 bilhões, no estado de Mato Grosso do Sul, fez com que a Arauco quase dobrasse sua dívida líquida para 5,15 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) no ano passado
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  • A Celulosa Arauco y Constitución planeja investir mais de US$ 3 bilhões neste ano e cerca de US$ 2 bilhões no próximo, principalmente para concluir a fábrica Sucuriú, no Brasil.
  • O projeto Sucuriú custa US$ 4,6 bilhões e está quase pela metade concluído, com financiamento garantido; a empresa espera ampliar vendas de celulose e gerar até US$ 1 bilhão em EBITDA adicional.
  • A leitura de crédito é sob tensão: a S&P Global Ratings colocou a Arauco em observação negativa, e a empresa atua para evitar queda para grau especulativo, com suporte de sua controladora Empresas Copec; a Fitch mantém a classificação BBB com revisão.
  • Acelerações no endividamento são previstas para este ano, já que o fluxo de caixa livre fica negativo durante a construção; o preço da celulose caiu mais de quinze por cento desde a máxima de maio de 2024, comprimindo lucros.
  • Caso os preços da celulose subam, a alavancagem deve recuar; a empresa já vendeu títulos híbridos em 2025 para amortecer o aumento do endividamento e manter a nota sob controle.

A Celulosa Arauco y Constitución planeja ampliar sua produção com a construção da maior fábrica de celulose do mundo no Brasil. O projeto Sucuriú, em Mato Grosso do Sul, demanda investimentos recordes e mira um salto significativo na participação de mercado da empresa. A informação foi dada pelo diretor financeiro Gianfranco Truffello à Bloomberg News, em 16 de janeiro.

O projeto Sucuriú tem orçamento estimado em US$ 4,6 bilhões, com a maior parte dos recursos destinada à conclusão da planta. A construção ocorre em meio à desaceleração do setor e aos ajustes de crédito, que impactam a avaliação de risco da companhia.

Segundo Truffello, a Arauco espera investir mais de US$ 3 bilhões neste ano e cerca de US$ 2 bilhões no próximo, visando elevar a produção e alcançar participação de mercado de fibra curta próxima a 10%. O financiamento total está assegurado, segundo o executivo.

A empresa enfrenta pressão de rating após registrar aumento de endividamento para financiar a obra, o que levou a Standard & Poor’s a colocá-la em observação negativa. A Fitch mantém a nota BBB, com revisão prevista para este ano, ainda que a agência tenha advertido sobre riscos de alavancagem.

Duas frentes são citadas como opções para manter o grau de investimento: venda de ativos e apoio da controladora Empresas Copec, com forte posição financeira e controlada pela família Angelini. A Arauco também tem recorrido a títulos híbridos para moderar o aumento da dívida.

Analistas destacam que a queda de preços da celulose pressiona margens e lucros. O preço médio da celulose caiu mais de 15% desde 2024, contribuindo para uma queda expressiva no lucro da empresa no último ano. Espera-se, contudo, uma recuperação modesta em 2026.

O projeto Sucuriú já está quase pela metade concluído e tem financiamento garantido. Caso não haja atrasos, a usina pode elevar o volume de vendas de celulose em até 67% e gerar EBITDA adicional próximo de US$ 1 bilhão, segundo analistas.

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