- Em julho, Gérard Perse, figura de Château Pavie, faleceu aos 75 anos; a filha Angélique Da Costa e o marido Henrique ficaram à frente da propriedade em Saint-Émilion.
- Pavie continua sendo um grand cru classé de destaque e mantém projetos para enfrentar a crise no setor do vinho, incluindo ajustes na comercialização.
- Angélique aposta no modelo tradicional de Bordeaux, com foco no comercio de primeurs, reconhecendo necessidade de equilíbrio entre vendas em primeur e entregáveis.
- O enoturismo segue como pilar, com hotel, restaurante La Table de Pavie e menus desenvolvidos para reforçar a conexão com visitantes e clientes.
- A vinicultura busca diversificar, incluindo a exploração de vinhos brancos com sauvignon, sémillon e muscadelle, ainda em estudo para possíveis saídas comerciais.
En julho, deixou de existir a figura de Château Pavie, Gérard Perse. A viúva Angélique Da Costa e o marido Henrique assumem a gestão, mantendo a propriedade emblemática de Saint-Émilion na rota de um reequilíbrio estratégico diante da crise do vinho Bordeaux.
A indústria atravessa um período de incerteza, com o mercado lento e volumes menores. Da Costa afirma que o modelo histórico de venda em primeur continua relevante, apesar da necessidade de adaptação à nova conjuntura econômica e política.
O château aposta no equilíbrio entre vendas em primeur e entregas diretas, buscando manter o contato com jornalistas, compradores e sommeliers. A análise é de que o modelo não é obsoleto, apenas requer ajustes de timing e estrutura.
Além da comercialização, Pavie mantém o foco no turismo vínico. A propriedade administra hotel, restaurante La Table de Pavie e a experiência gastronômica baseada em menus vegetais. O objetivo é unir vinicultura, gastronomia e hospitalidade.
Com a continuidade da família, Pavie reforça a presença em visitas guiadas e experiências sob medida. Ao mesmo tempo, a equipe trabalha para ampliar o alcance internacional, sem perder a identidade da casa.
O cultivo também mira diversificação. Além do vinho tinto tradicional, a equipe avalia o retorno do vinho branco, com vinhas de Sauvignon, Sémillon e Muscadelle em áreas onde não eram comuns. A decisão dependerá de resultados técnicos.
Sobre o estilo, a vinicultura de Pavie busca modernizar a estrutura sem abandonar a elegância do terroir. A transição é acompanhada por ajustes no corte de Merlot e Cabernet Sauvignon, bem como no uso de madeira.
Angélique Da Costa reforça que o legado de Perse não se resume a obras de infraestrutura. Ela afirma que o “papél” do pai foi passado, mas que a equipe não depende de recursos mágicos para manter o padrão desejado.
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