- Safra recorde de café no Brasil deve pressionar as cotações, com expectativa de preço em torno de US$ 1,80 por libra-peso neste ano.
- Analistas comparam o possível movimento de queda do café ao que ocorreu com o cacau, que despencou após atingir recorde em 2024.
- Alguns valutam que o preço do café em Nova York pode cair a US$ 1,80 por libra-peso, enquanto outros veem possibilidade de chegar a US$ 2,0 ainda em 2026.
- Demanda estagnou em 2025, segundo o Rabobank, com expectativa de recuperação moderada de cerca de 2% em 2026.
- Consumidores americanos reduziram gastos com café em 61% dos entrevistados, influenciando o setor e a dinâmica de preços.
A expectativa de safra recorde de café no Brasil pode pressionar os preços para baixo nos próximos meses. Analistas alertam que a produção brasileira, maior que o esperado, tende a reduzir a cotação da bebida no mercado internacional. A visão é de que o preço do arábica recupere equilíbrio com a oferta interna.
Durante a convenção anual da National Coffee Association, realizada na semana passada em Tampa, na Flórida, especialistas discutiram a relação entre safra brasileira e variações de preço. A ideia é que a produção robusta no Brasil corrija o excesso de valorização recente e leve a quedas futuras.
Paralelamente, revisões de demanda também aparecem nos relatos do setor. Consumidores vêm ajustando o gasto com café, mas não reduzem o consumo total. Em entidades de comércio, há expectativa de que a demanda ao longo de 2026 possa responder a preços mais baixos, mantendo demanda estável.
Perspectivas de preço e produção
Analistas estimam que o café arábica no mercado de Nova York possa recuar para patamar próximo de US$ 1,80 por libra-peso neste ano. Em comparação, o fechamento recente ficou próximo de US$ 2,95 por libra-peso, sinalizando espaço para desvalorizações conforme a safra brasileira se confirma.
Outros especialistas destacam que, embora a produção alta propicie alívio de curto prazo, o comportamento de estoques e a dinâmica do câmbio também influenciam o movimento de preços. Pesquisas com consumidores indicam ajuste de hábitos, mantendo consumo, mas com maior propensão a marcas mais acessíveis.
Representantes do setor ressaltam que agricultores brasileiros estão capitalizados e devem vender gradualmente, guardando parte da produção para reposição de estoques. Esse comportamento pode suavizar a queda de preços ao longo do ano, segundo interlocutores do mercado.
Implicações para o mercado
Analistas do Rabobank apontam que a demanda global por café não registrou crescimento em 2025, diferentemente do histórico pré-pandêmico. Mesmo assim, a projeção é de recuperação moderada em 2026, o que pode sustentar a demanda diante de preços mais baixos.
O quadro sugere que o mercado deverá acompanhar com atenção a evolução da produção brasileira, a demanda internacional e o câmbio. Investidores e produtores buscarão equilíbrio entre oferta, estoque e custo de produção para os próximos meses.
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