- O preço médio do litro do diesel nos postos subiu mais de 11% em uma semana, de R$ 6,08 para R$ 6,80, em meio à alta global do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio.
- O governo lançou um pacote para evitar repique da inflação, incluindo isenção de impostos federais e uma subvenção de R$ 30 bilhões para reduzir R$ 0,64 por litro no preço na bomba.
- A Petrobras pode elevar o preço do diesel nas refinarias para acompanhar a valorização do petróleo, com parte do custo não sendo repassada integralmente ao consumidor.
- A ideia de zerar o ICMS sobre diesel na importação até maio enfrenta resistência dos governadores, que dizem que cortes não costumam chegar ao consumidor; o governo propôs reembolsar metade das perdas e decisão deve sair até 28 de março.
- Medidas visam manter custo logístico estável, com fiscalização mais rígida da tabela de frete, para evitar impactos adicionais na inflação e no bolso de caminhoneiros e consumidores.
O governo federal atua para evitar um repique da inflação em ano eleitoral, diante da alta recente do preço do diesel. A alta é consequência da escalada do petróleo causada pela guerra no Oriente Médio, que elevou o preço do barril mundial.
Segundo a ANP, o preço médio do litro do diesel subiu de 6,08 para 6,80 reais em uma semana, um incremento de mais de 11%. A alta impacta a Petrobras, que domina cerca de 45% do preço final do diesel no Brasil, conforme dados do setor.
A увидеть crise ocorre em meio a conflitos na região, com o Irã sob pressão e controle do Estreito de Ormuz, rota de cerca de 20% do petróleo mundial. O preço do barril disparou de US$ 60 para US$ 110 desde o começo do ano.
Medidas do governo para conter preços
O governo lançou um pacote para limitar o repasse da alta para o consumidor. A primeira medida foi a isenção de impostos federais e uma subvenção de 0,64 real por litro para produtores e importadores de diesel, estimada em 30 bilhões de reais. Em contrapartida, haverá imposto sobre exportação de petróleo.
Com isso, a Petrobras ganhou espaço para elevar o preço do diesel nas refinarias, acompanhando a alta do petróleo, sem repassar integralmente o custo ao consumidor. A estatal busca manter margens estáveis diante do custo da matéria-prima.
A isenção de PIS/Cofins representa apenas 5% do valor final do diesel, o que levou o governo a ampliar a subvenção para dobrar o desconto. O objetivo é reduzir o impacto direto no preço nas bombas.
Discussões sobre ICMS e impactos regionais
O governo também pediu aos governadores que zerassem o ICMS sobre combustíveis, já que o imposto estadual representa quase 20% do valor final do diesel. A ideia era reduzir o preço em cerca de 1,20 real, mas houve resistência.
Comsefaz, órgão que reúne secretarias de Fazenda, informou que cortes no ICMS prejudicariam o financiamento de políticas públicas e que o repasse aos consumidores nem sempre ocorre. Diante disso, o governo apresentou uma nova proposta.
Proposta e prazos
A nova medida prevê isentar o ICMS na importação de diesel até o fim de maio, com o governo comprando uma parte das perdas. A estimativa é que a isenção custe 3 bilhões por mês, e o governo devolva 1,5 bilhão aos cofres estaduais. A decisão deve ocorrer até 28 de março.
A preocupação é justificar a intervenção, pois o diesel é essencial para logística e afeta o custo de transportes, alimentos, produtos industriais e serviços. A fiscalização da tabela de frete também será reforçada para evitar reajustes indevidos.
Economista ouvida pela reportagem aponta que os efeitos indiretos da alta do diesel podem elevar a inflação em 0,11 ponto percentual em 2026, com impactos espalhados ao longo dos próximos meses.
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