- Consignado CLT completa um ano com cerca de 84 bilhões de reais em novos contratos, subindo para 117,1 bilhões no total quando consideradas migrações de contratos antigos.
- O governo apontou que a migração de contratos antigos elevou o volume total de operações para 117,1 bilhões de reais.
- A taxa média de juros no setor privado ficou o dobro da de aposentados e de servidores públicos: 3,85% ao mês, ante 1,81% e 1,79%, respectivamente.
- A regulamentação do uso do saldo do FGTS como garantia ainda não foi implementada, apesar de promessa inicial de até 15 de junho do ano passado e nova data apontada para este semestre.
- Quando o FGTS puder ser usado como garantia, será possível usar até 10% do saldo e 100% da multa rescisória (40% do saldo), o que deve reduzir juros e estimular a oferta de crédito; governo ressalta diferença de risco entre privado e público.
O consignado CLT completa um ano em vigência com cerca de 84 bilhões de reais emprestados em novos contratos, segundo dados do Ministério do Trabalho. Considerando a migração de contratos antigos para a nova plataforma, o crescimento total das operações alcançou 117,1 bilhões de reais. A expectativa inicial do governo era de 100 bilhões em três meses.
O programa tem sido considerado fundamental para ampliar o acesso ao crédito formal entre trabalhadores com carteira assinada. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, aponta que a modalidade substitui práticas de crédito informais, além de reduzir a dependência de cheque especial e de empréstimos com juros elevados.
A modalidade permite o desconto direto na remuneração, respeitando a margem consignável de até 35% da renda líquida. O acesso pode ser realizado pelo aplicativo CTPS Digital ou diretamente nas instituições financeiras.
FGTS como garantia
A regulamentação do uso do FGTS como garantia ainda não saiu do papel. A promessa era de que o saldo poderia ser utilizado como garantia de até 10% do FGTS e da multa rescisória de 40% em demissões sem justa causa, o que reduziria juros e estimularia mais bancos a emprestar. Até o momento, não há definição sobre a implementação.
Nesta semana, o Ministério do Trabalho informou que a regulamentação deve ser implementada neste semestre, com regras específicas definindo seu funcionamento. A expectativa é de que as garantias entrem em vigor para ampliar o volume de operações.
Comparação com aposentados e servidores
Sem a regulamentação, a taxa média do consignado para o setor privado ficou, no primeiro ano, aproximadamente o dobro da observada entre aposentados e servidores públicos. Em janeiro, o juro médio do CLT foi de 3,85% ao mês, ante 1,81% para aposentados e 1,79% para servidores.
Apesar da diferença, o setor privado enfrenta juros ainda inferiores ao cheque especial (7,52% ao mês) e ao cartão rotativo (14,81% ao mês), no mesmo período. O governo ressalta que o risco de emprego influencia a precificação dos bancos.
Sem teto para juros; fiscalização e garantias
O governo não prevê fixar um teto geral para juros no consignado privado. A autoridade ressalta que haverá aviso e suspensão de instituições que descumprirem regras, para evitar abusos. A Febraban mantém posição de que o teto não é necessário, confiando na redução de custos com as garantias do FGTS.
Especialistas destacam que a ampliação do consignado depende de pilares estruturais, entre eles a operacionalização eficaz das garantias, fortalecimento da fiscalização e fluxo simples para contratar o crédito via instituição financeira. Dados de acesso a informações sobre empregadores são considerados essenciais para precificação de risco.
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