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UE acelera reabastecimento de gás e alivia metas de armazenamento sobre Irã

Comissão Europeia pede reabastecimento antecipado de gás e flexibiliza metas de armazenamento para evitar picos de preço e manter reservas até o próximo inverno

Flames emerge from burners on a natural gas stove.
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  • A Comissão Europeia pediu que os países da UE comecem a reabastecer as reservas de gás mais cedo para evitar picos de preço e garantir o armazenamento até o próximo inverno.
  • As regras de armazenamento ganharam flexibilidade, permitindo alongar o prazo de reposição e ajustar as metas conforme as condições de mercado.
  • A meta formal continua sendo 90% até 1 de novembro, mas o bloco orienta manter 80% “em caso de condições difíceis”, com exceções que podem ir até 75% ou 70%.
  • A demanda por LNG do Qatar atrasou-se por ataques que afetam o abastecimento global, elevando a volatilidade dos preços; Bélgica, Itália e Polônia aparecem entre os membros mais expostos, segundo o CEO da QatarEnergy.
  • A presidente Ursula von der Leyen anunciou medidas temporárias para conter altas de contas de energia, incluindo ajustes de impostos, tarifas de rede e do mercado de carbono (ETS).

O comissário europeu de Energia, Dan Jørgensen, pediu aos países da UE que comecem a reabastecer as reservas de gás mais cedo para evitar compras de última hora e possíveis picos de preço. O alerta vem de uma carta, com valor de diretriz, obtida pelo Euronews.

A carta, datada de 20 de março, menciona que a proteção da segurança de suprimento permanece relativa, devido à dependência ainda limitada das importações do Qatar e de cargueiros de LNG que passaram pelo estreito de Ormuz, rota de comércio vital que, no passado, foi bloqueada pelo Irã. O Irã, por sua vez, ameaçou infraestrutura energética na região.

A União Europeia enfrenta interrupções de fornecimento provocadas por atrasos na dobradinha de envio de LNG para a região, em meio a tensões entre EUA, Israel e Irã. O governo de Washington havia apresentado um ultimato ao Irã para abrir a passagem no Golfo dentro de 48 horas, o que elevou a volatilidade dos preços globais de energia.

Regras de armazenamento e metas ajustadas

O texto de Jørgensen também reforça a dependência dos mercados globais, com o aumento da pressão de preços diante das escaladas regionais. A UE mantém, porém, marcas de preparação para o armazenamento, ainda que flexibilize metas diante do cenário de mercado.

A Comissão Europeia abriu espaço para que os países distribuam metas de recarga ao longo de períodos mais longos e ajustem-nas conforme condições de mercado. A medida visa reduzir demanda em momentos de tensão e conter preços, segundo o próprio comissário.

Mesmo com as flexibilidades, o bloco afirma estar mais preparado do que em 2022, quando a invasão russa causar uma súbita quebra de fornecimento. Hoje, as metas continuam a prever 90% de armazenamento até 1º de novembro, porém com permissões para chegar a 80% no cenário de dificuldades.

Situação atual dos estoques

O armazenamento de gás na UE está em cerca de 30% de ocupação, bem aquém do nível anterior. Alemanha reporta roughly 21,6% no fim de fevereiro e França permanece na casa dos 20%. Esse patamar é o mais baixo para a temporada desde 2022 e fica bem abaixo da média de 10 anos, em torno de 58%.

A Comissão também destacou medidas temporárias, direcionadas e específicas para reduzir o peso das tarifas de energia. Entre elas, redução de impostos e centralização de esforços para conter o impacto sobre a geração de eletricidade.

Medidas setoriais e impactos

A presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, anunciou ações para conter o aumento de tarifas de energia, com foco em quatro componentes de contas elétricas: fonte de energia, impostos nacionais, tarifas de rede e custos de carbono. A UE planeja ajustar o Market Stability Reserve para reduzir variações de preço no curto prazo.

Além disso, a UE indicou que o uso de chaves regulatórias de mercado, o ETS e mudanças na tributação visam menores custos para consumidores. Não está prevista a divulgação de conclusões, apenas ações anunciadas para mitigar impactos energéticos.

Convergência entre países e respostas públicas

Governos nacionais estão adotando uma combinação de alívio fiscal, intervenções de mercado e subsídios diretos para reduzir impactos sobre famílias e empresas. Países como Itália, Áustria e Espanha lideram políticas de controle de preços e margens de lucro, com impostos específicos a combustíveis e estímulos.

Medidas também incluem ajustes no setor elétrico, controle de margens em combustíveis e esquemas de apoio a consumidores. Em todo o bloco, a prioridade é manter a estabilidade de oferta e evitar novos choques de preço.

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