- O Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75%, na reunião de 18 de março, primeiro corte desde 2024.
- A ata aponta que os riscos para a inflação aumentaram com a guerra no Oriente Médio e que a calibração do ciclo dependerá de novas informações.
- Os diretores, liderados por Gabriel Galípolo, destacaram cautela e disseram que a redução foi a mais adequada dadas a desaceleração da economia e inflação ainda acima da meta.
- Bloomberg Economics aponta três sinais: geopolítica gera incerteza, há espaço para cortes mais rápidos no radar, e o ritmo definitivo ainda não está claro.
- A ata mantém a porta aberta a cortes mais rápidos se o conflito arrefecer; cenário-base prevê quedas de cerca de 50 pontos-base nas próximas reuniões e pausa em 12,75%.
O Banco Central informou, em ata referente à reunião de 18 de março, que a guerra no Oriente Médio elevou os riscos de inflação. O comitê reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75%, marcando o primeiro recuo desde 2024. A decisão ocorreu em um contexto de desaceleração da economia e pressões de preço.
Os diretores, liderados por Gabriel Galípolo, destacaram que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão ajustadas ao longo do tempo, conforme novas informações surgirem. A ata aponta que os riscos de inflação, tanto de alta quanto de baixa, ficaram superiores ao usual com o conflito.
Geopolítica e incentivos para cortes
A ata ressalta que a duração dos conflitos geopolíticos, bem como sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração, dificulta prever tendências claras. A mensagem indica que o BC enxerga espaço para cortes adicionais no curto prazo, desde que o cenário global permita.
Adriana Dupita, da Bloomberg Economics, aponta que a geopolítica é vista como fonte de incerteza, não obstáculo imediato ao afrouxamento. O relatório também indica que o ritmo de cortes pode acelerar, ainda sem gatilho claro, conforme o BC avaliar novas informações.
Perspectivas e projeções
A ata abre espaço para cortes mais rápidos caso o conflito recue, segundo Caio Megale, da XP. O cenário-base prevê reduções adicionais de 50 pontos-base nas próximas reuniões, com uma pausa em 12,75% para avaliação.
Economistas estimam inflação acima da meta até 2026, com projeções de alta revisadas para 4,17% no fim de 2026 e Selic em 12,5% no relatório Focus. O governo tem adotado medidas para compensar impactos da alta do petróleo.
Contexto político e salarial
A redução de 0,25 ponto levou a críticas de aliados do presidente Lula, que havia defendido queda maior. Lula mencionou frustração com a decisão durante evento recente, afirmando que esperava redução de ao menos 0,5 ponto.
A autoridade monetária frisa que as decisões seguem critérios técnicos, com foco em manter a inflação sob controle e a estabilidade macroeconômica, mesmo diante de choques externos.
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