- Indústria brasileira do vinho organiza reação à pressão global contra o consumo de álcool, defendendo estudo e educação sobre consumo moderado.
- Em São Paulo, acontece o Simpósio Internacional Vinho, Saúde e Estilo de Vida, com médicos e pesquisadores discutindo relação entre vinho e saúde.
- Organização Mundial da Saúde afirma que não existe quantidade segura de álcool para a saúde; o setor destaca evidências sobre consumo moderado e não nega efeitos do exagero.
- Proposta central é tratar o vinho como produto agroalimentar, indo além da visão de bebida alcoólica e ressaltando impactos econômicos da cadeia vitivinícola.
- Recomendações de consumo moderado discutem limites de 13 gramas de álcool por dia para mulheres e 26 gramas para homens, equivalentes a cerca de 100 ml e 200 ml de vinho, respectivamente.
O setor de vinhos no Brasil reagiu de forma mais organizada a críticas globais sobre o consumo de álcool. O movimento busca manter o debates no âmbito científico, sem negar os malefícios do uso excessivo, mas defendendo o consumo moderado como tema factível. A mobilização ocorre em meio a pressões de saúde pública que questionam até mesmo o álcool em doses moderadas.
Em São Paulo, acontece o Simpósio Internacional Vinho, Saúde e Estilo de Vida, com médicos e pesquisadores nacionais e estrangeiros. O objetivo é discutir evidências sobre o consumo moderado de vinho e seus impactos na saúde e no bem-estar.
A organização do evento destaca palestras de cardiologistas e especialistas em nutrição. O foco é apresentar dados sobre o vinho, especialmente o tinto, dentro de um contexto de estilo de vida equilibrado, sem negar riscos do uso inadequado.
A mudança de posicionamento da Organização Mundial da Saúde, que diz não haver quantidade segura de álcool, é o pano de fundo da iniciativa. A OMS aponta riscos já no primeiro consumo e destaca a relação com doenças e mortalidade.
Célia Pinotti Carbonari, sócia da Vinícola Villa Santa Maria, participa como idealizadora. Em entrevista, ela afirma que o objetivo é educar com base em evidências, sem demonizar o vinho nem o consumo moderado.
Carbonari rejeita que o movimento seja próximo de negacionismo científico e ressalta: ninguém defende o alcoolismo ou o consumo exagerado. O grupo reconhece efeitos negativos do consumo excessivo.
A proposta central envolve classificar o vinho como produto agroalimentar, distinguindo-o de outras bebidas alcoólicas. A ideia seria abranger produção, turismo e o impacto econômico da cadeia vitivinícola.
Segundo a organizadora, a reclassificação facilitaria o reconhecimento do vinho como parte da alimentação e da cultura, com benefícios econômicos e fiscais para produtores e regiões produtoras.
Uma voz conhecida no setor é a médica e viticultora Laura Catena, que defende o consumo moderado dentro de um estilo de vida saudável. Catena critica a posição de que não haja risco zero.
O simpósio também discutirá parâmetros de consumo moderado, com estimativas de 13 gramas diários para mulheres e 26 para homens. Medidas práticas apontam para cerca de 100 ml de vinho por dia para mulheres e 200 ml para homens.
A programação aborda ainda impactos metabólicos do vinho tinto, diferenças entre bebidas alcoólicas e o papel do consumo moderado em dietas como a mediterrânea, associadas a benefícios cardiovasculares.
Os organizadores destacam que o vinho não deve ser visto apenas como bebida alcoólica, mas como um produto agroalimentar integrado à alimentação, à cultura e ao convívio social.
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