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Galípolo diz que é preciso tempo para entender impactos da guerra

BC diz que é preciso tempo para entender impactos da guerra no Oriente Médio na economia brasileira, apontando margem de análise devido ao conservadorismo de 2025

O presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, concedeu entrevista a jornalistas nesta 5ª feira (26.mar.2026)
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  • O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que é preciso tempo para entender os impactos da guerra no Oriente Médio na economia brasileira e nos próximos passos da política monetária.
  • O bloqueio do estreito de Ormuz, que começou após o início do conflito — em 28 de fevereiro —, afeta tanto logística quanto a capacidade produtiva, segundo o BC.
  • Galípolo afirmou que o conservadorismo da política monetária brasileira em 2025 deixou o país em posição melhor, com “gordura” para analisar desdobramentos e impactos.
  • O BC manteve a projeção de crescimento do PIB em 2026 em 1,6% e destacou que a inflação tem 30% de probabilidade de ficar acima da meta, com incertezas ampliadas pelo conflito.
  • A inflação medida pelo IPCA-15 desacelerou de 0,84% em fevereiro para 0,44% em março, mas a taxa anualizada recuou apenas para 3,90%; o Copom reduziu a Selic de 15,0% para 14,75% ao ano, indicando próximos passos condicionados à duração da guerra.

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, afirmou nesta quinta-feira (26.mar.2026) que é preciso tempo para entender os impactos da guerra no Oriente Médio sobre a economia brasileira e para definir os próximos passos da política monetária.

Ele destacou que o bloqueio do Estreito de Ormuz ameaça não apenas logística, mas também a capacidade produtiva. A recuperação desse dinamismo demanda tempo, segundo o BC.

A medida ocorre em meio à escalada entre Irã, EUA e Israel, que começou em 28 de fevereiro. O BC manteve o tom cauteloso ao discutir cenários para a inflação e juros.

Contexto de política monetária

Galípolo avaliou que o conservadorismo aplicado pelo BC em 2025 deixa o Brasil com certa “gordura” para analisar desdobramentos do conflito.

Segundo ele, a posição atual beneficia o país por ser exportador de petróleo e manter juros contracionistas. Ainda assim, há atenção a efeitos de segunda ordem.

Ele ressaltou que o BC não sinalizará mudanças bruscas e que o tempo para entender será decisivo para decisões futuras.

O Relatório de Política Monetária divulgado hoje reforçou que a inflação pode ficar acima da meta em 30% de probabilidade, conforme o BC.

O BC manteve a projeção de crescimento do PIB em 1,6% para 2026 e apontou incertezas externas como fator central para o cenário.

Perspectivas para inflação e juros

O aperto monetário permanece tema de análise, com o IPCA-15 desacelerando de 0,84% para 0,44% entre fevereiro e março.

A taxa anualizada caiu de 4,10% para 3,90%, porém o BC ressalta risco de desvio da meta de 3%, que admite tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

A meta formal continua entre 1,5% e 4,5% e o BC reforça que as próximas etapas da política dependerão da duração do conflito e de como a inflação se comporta.

Avaliação de riscos e próximos passos

O BC apontou que conflitos no Oriente Médio elevam incertezas e podem pressionar a inflação, caso se prolonguem.

A ata do Copom indicou que o ciclo de cortes ou manutenção da Selic, atualmente em 14,75% ao ano, dependerá da duração do choque de oferta.

Há ainda a possibilidade de ajuste pré-emptivo caso haja sinalização de aumento persistente de inflação e maior prêmio de risco.

As informações oficiais destacam que o BC continuará monitorando impactos externos, com foco em manter a estabilidade macroeconômica sem comprometer a credibilidade da política monetária.

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