- Banco Central Europeu (BCE) aponta que exposições diretas dos bancos da zona do euro ao conflito no Oriente Médio são limitadas, mas risco de estresse sistêmico existe devido às interconexões financeiras.
- Mercados passaram por estresse com o impacto da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã; liquidação fora da região foi limitada e alguns ativos permanecem supervalorizados.
- O vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, afirmou que, até aqui, as repercussões para o setor financeiro da zona do euro estão contidas, com bancos bem posicionados e robustez de capital e liquidez.
- Ainda assim, o conflito pode desencadear vulnerabilidades interconectadas e gerar estresse sistêmico, afetando o sentimento do mercado e levando a reprecificação de risco para tomadores de empréstimos e soberanos alavancados.
- Sobre o mandato do BCE, de Guindos disse que a inflação pode subir e o crescimento desacelerar devido ao conflito, mas há compromisso de manter a inflação estável na meta de 2% no médio prazo.
O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luis de Guindos, alertou nesta quinta-feira 26 que a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã pode gerar estresse financeiro sistêmico, ainda que a liquidação fora do Oriente Médio tenha sido limitada. O comentário ocorreu em meio a um ambiente de volatilidade nos mercados.
Segundo Guindos, as exposições diretas dos bancos da zona do euro à região são limitadas, e o sistema bancário europeu apresenta lucratividade robusta e amortecedores de capital e liquidez adequados. Ainda assim, o BCE vê riscos ligados às interconexões do sistema financeiro.
Em meio a uma incerteza global elevada, o conflito poderia desencadear vulnerabilidades interconectadas e pressionar o sentimento de mercado, afirmou o vice-presidente. Avaliações de ativos já estão elevadas, o que pode levar a uma reprecificação de risco para tomadores de empréstimos e países soberanos com alto grau de alavancagem.
Riscos para o sistema financeiro
Guindos destacou que o conflito pode ampliar o estresse no setor financeiro não bancário, mesmo com impactos diretos contidos. O BCE monitora impactos de curto a médio prazo na liquidez e na confiança dos investidores, principalmente diante de volatilidade e choques de preços.
A autoridade monetária segue atenta ao cenário externo, pois, com o mandato de manter a inflação baixa, ainda há possibilidade de alta de preços e desaceleração do crescimento por efeitos indiretos do conflito. O BCE reafirmou o compromisso com a meta de inflação de 2% no médio prazo.
Perspectivas macroeconômicas
De Guindos reforçou que é necessário tempo para compreender o impacto total do conflito sobre a economia da zona do euro. O BCE entende que a inflação pode subir e o crescimento pode perder fôlego, mas mantém a avaliação de que a estabilidade de preços é prioridade.
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