- O conflito no Oriente Médio elevou o preço do petróleo, levando o Brent a ficar frequentemente acima de US$ 100 e impactando energia e, possivelmente, os preços de alimentos na Europa.
- A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) aponta que os preços globais de fertilizantes devem subir entre 15% e 20% no primeiro semestre de 2026 se a crise persistir.
- Três caminhos principais para a inflação de alimentos na Europa: custos de energia, produção de fertilizantes dependente de gás natural e demanda por biocombustíveis.
- Países mais expostos: Holanda e Bélgica, com grandes clusters de refino, seguidos por Alemanha, França, Itália e Espanha, além de maior dependência de gás natural.
- Efeitos posteriormente: possíveis atrasos de colheitas e pressão maior sobre os preços ao consumidor em 2026, já com impactos na inflação de alimentos.
O conflito no Oriente Médio eleva os preços do petróleo, com impactos diretos nos custos de energia e, por consequência, nos alimentos na Europa. O Brent tem ficado acima de 100 dólares em boa parte do período, conforme analistas que acompanham o tema. A escalada pode pressionar o custo de vida no continente.
Especialistas dizem que o efeito se espalha por várias frentes. A crise pode elevar preços globais de alimentos por meio de interrupções no fornecimento de fertilizantes, energia e custos de transporte, aumentando as despesas de produção agrícola e logística.
Dados da FAO indicam que os preços globais de fertilizantes devem ficar entre 15% e 20% mais altos no primeiro semestre de 2026, caso a crise persista. O órgão ressalta que custos mais altos de energia também prejudicam safras futuras.
Zsolt Darvas, da Bruegel, destacou que grande parte do fertilizante e do petróleo circula pelo Estreito de Hormuz, que tem estado sob pressão por conta do conflito. Isso eleva custos de produção e de transporte ao longo da cadeia de alimentos.
Fontes e impactos previstos
Segundo a FAO, a demanda por fertilizantes é crucial para a produção agrícola, e altas despesas podem reduzir aplicações, pressionando safras e o abastecimento de grãos. A organização também aponta risco de aperto nos estoques globais caso haja cortes de fertilizante.
Maximo Torero, economista-chefe da FAO, afirmou que aumentos em fertilizantes e energia elevam custos para os agricultores, com reflexos potenciais em safras futuras e no abastecimento de grãos. O índice de preços de alimentos da FAO já voltou a subir.
Três canais foram apontados pela FAO para a transmissão da crise: custos energéticos, fertilizantes dependentes de gás natural, e demanda por biocombustíveis. Cada um pode elevar preços ao consumidor ao longo da cadeia alimentar na Europa.
O narciso, isto é, a pressão sobre o gas natural, já se evidencia na região. A Europa depende de gás para produção de fertilizantes, o que agrava a elevação de custos dentro do setor agrícola e de alimentos.
Países mais expostos na Europa
Em 2025, refinarias do Golfo responderam por cerca de 60% do combustível de aviação europeu e 20% do diesel, apontando vulnerabilidade de países com grandes fábricas e hubs de transporte. Holanda, Bélgica, Alemanha, França, Itália e Espanha são citados como mais expostos.
A Holanda, berço de clusters petroquímicos em Roterdã, e a Bélgica, com operações em Antuérpia, aparecem como núcleos de maior sensibilidade a interrupções na oferta do Golfo. Itália, Espanha e França também enfrentam impactos relevantes.
A dependência de gás natural aumenta a fragilidade. Cerca de um quinto das exportações globais de LNG passam pelo Golfo e precisam transitar pelo Estreito de Hormuz. Itália, Espanha e Países Baixos mantêm infraestrutura signficativa de LNG.
Efeitos a médio prazo
Analistas de Rabobank indicam que o impacto nos fertilizantes pode ser sentido mais fortemente no segundo semestre, conforme os estoques atuais se esgotarem. O processo de transformação de fertilizante até o produto final exige energia, elevando o custo final.
Oxford Economics aponta que a Europa deve sofrer mais com o choque energético do que os EUA, devido aos reflexos no mercado de energia. Em 2025, a inflação de alimentos na UE ficou em 3,3%, com variações regionais significativas.
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