- Ataques no Golfo Pérsico atingiram infraestrutura de energia: Irã atacou Ras Laffan, no Catar, eliminando 17% da capacidade de exportação de GNL do país; reparos podem levar até cinco anos.
- A região continua sob pressão: o Estreito de Ormuz ficou praticamente fechado após as ações do Irã, interrompendo passagem de petróleo e levando grandes exportadores a reduzir produção.
- O mercado de petróleo reagiu com queda de oferta histórica, elevando os preços: Brent fechou perto de US$ 105,32 por barril e o Brent americano atingiu US$ 99,64.
- O impacto se estende a fertilizantes e alimentos: a maior parte de ureia e amônia vem do Golfo; com o estreito bloqueado, os preços subiram e podem encarecer alimentos, principalmente em países pobres.
- As perspectivas econômicas globais são de recuperação lenta e riscos de inflação mais alta: analistas destacam potencial de recessão nos EUA e demora para a normalização da oferta energética.
O conflito no Golfo Pérsico ganhou escala com ataques e contra-ataques a refinarias, oleodutos, campos de gás e terminais de petroleiros. A escalada ameaça manter a dor econômica global por meses ou anos, mesmo diante de possíveis cessar-fogos. No dia 18 de março, o Irã atingiu o terminal de gás natural Ras Laffan, no Catar, que produz 20% do LNG mundial, segundo autoridades do CatarEnergy. O ocorrido eliminou 17% da capacidade de exportação de LNG do Catar, com reparos estimados em até cinco anos.
A guerra provocou um choque contínuo nos preços de energia desde o seu início. O preço do petróleo Brent fechou em torno de 105,32 dólares por barril na sexta-feira, após chegar próximo de 70 dólares antes do conflito. O petróleo cru dos EUA encerrou em 99,64 dólares por barril, com volatilidade ainda maior no mercado global. Economistas destacam que choques similares já causaram recessões em períodos passados.
A interrupção das passagens estratégicas elevou a pressão sobre a oferta de energia e de fertilizantes. O Estreito de Ormuz, crucial para o trânsito de petróleo, tornou-se um ponto de bloqueio, levando exportadores do Golfo a cortar produção. A Agência Internacional de Energia chamou a situação de a maior interrupção de oferta já observada no mercado global.
Escassez e alta de fertilizantes prejudicam agricultores
A região do Golfo responde por parte significativa da ureia e amônia globais, insumos-chave para fertilizantes nitrogenados. Com o estreito parado, os preços de ureia subiram cerca de 50% e os de amônia, 20%. O Brasil, grande importador, depende quase integralmente desses insumos. Produtores de fertilizantes, como o Egito, enfrentam queda de produção por falta de gás natural.
A elevação de preços tende a elevar o custo de alimentos e reduzir a oferta ao longo das cadeias agrícolas. Diversos países pobres devem sentir com mais intensidade a pressão de custo e disponibilidade de alimentos, agravando a insegurança alimentar global. O fornecimento de hélio, essencial para chips e exames médicos, também ficou sob risco, com o Catar respondendo por parte relevante da produção mundial.
Crise atinge uma economia dos EUA vulnerável
Mesmo com proteção relativa, a economia dos EUA não é imune. O país exporta petróleo, mas o gás natural licuado permanece mais barato e disponível internamente, ajudando a estabilidade de preços domésticos. Ainda assim, o aumento da gasolina pressiona o orçamento dos consumidores, já pressionado pela inflação.
Dados indicam perda de postos de trabalho nos EUA e intensidade de crescimento menor. Em fevereiro, empresas do setor privado ficaram sem vagas, e o ritmo de criação de empregos em 2025 ficou entre os mais baixos desde 2002. Economistas avaliam que o risco de recessão nos EUA pode aumentar nos próximos meses, sob impacto de choques de energia.
A recuperação levará tempo
A economia global tem mostrado resiliência frente a choques. Mesmo assim, a continuidade da crise energética eleva as incertezas sobre a recuperação. Especialistas alertam que, sem uma solução estável para a infraestrutura energética no Golfo, os danos podem se estender por anos.
Analistas apontam que, mesmo em cenários positivos, reparos de instalações estratégicas levariam tempo. Em síntese, não há ganhos econômicos esperados com o conflito; a continuidade das hostilidades tende a ampliar a vulnerabilidade de várias economias.
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