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Em um ano, Master vai de compra pelo BRB a acordo de Vorcaro com a PF

Um ano após a liquidação do Master, Vorcaro caminha para delação com a PF, com indícios de pagamento de propina a funcionários do Banco Central

O caso Master deixou um rombo de R$ 51,8 bilhões no FGC e de quase R$ 2 bilhões em fundos de Previdência
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  • Master foi liquidado em 28 de março de 2025; dois funcionários do Banco Central foram afastados e o ex-banqueiro busca delação.
  • O rombo do Fundo Garantidor de Crédito ficou próximo de 52 bilhões de reais, envolvendo Master, Will Bank e Banco Pleno, mesmo com participação muito pequena no sistema financeiro; o prejuízo superou o lucro líquido de grandes bancos listados na B3.
  • O Master teria vendido títulos podres ao BRB, levando à liquidação extrajudicial anunciada pelo Banco Central; o BC encaminhou relato ao Ministério Público da União em julho com detalhes das irregularidades.
  • A Polícia Federal iniciou a primeira operação em 18 de novembro de 2025; Vorcaro foi solto em 28 de novembro e preso novamente em 4 de março deste ano; PF aponta pagamento de propina a funcionários do BC para favorecer o Master; dois afastados são Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana; a CGU abriu processos administrativos disciplinares.
  • A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou, em 24 de março de 2026, a retirada do sigilo de auditoria do Tribunal de Contas da União sobre o Master.

Desde 28 de março de 2025, o Banco Master entrou em liquidação. A ação envolveu também o Will Bank e o Banco Pleno, apontados pela autoridade monetária como parte de um esquema fraudulento. Dois funcionários do BC foram afastados e um ex-banqueiro tramava fazer delação.

O rombo do sistema foi estimado em quase R$ 52 bilhões, segundo o entendimento do FGC. O prejuízo superou o lucro líquido de vários bancos listados na B3, mesmo com o Master respondendo por uma fatia pequena do ativo total do sistema financeiro.

O BC indicou que o Master vendia títulos podres para facilitar operações com instituições parceiras, o que levou à liquidação extrajudicial anunciada pelo BC em novembro. Em julho, o BC encaminhou um relato preliminar ao MPU com os primeiros sinais de irregularidades.

Gabriel Galípolo, presidente do BC, afirmou que houve dúvidas em janeiro e que foram obtidas evidências relevantes em março de 2025. Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização, disse que a confirmação de fraudes ocorreu apenas em 27 de junho de 2025.

A Polícia Federal iniciou sua primeira operação em 18 de novembro de 2025, prendendo Daniel Vorcaro, proprietário do Master. Vorcaro foi solto em 28 de novembro e recolhido novamente em 4 de março, na segunda fase da operação.

A PF apurou que Vorcaro pagou propina a funcionários do BC para favorecer o Master. Dois agentes foram afastados: Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana. Eles atuavam no Departamento de Supervisão Bancária (Desup). A CGU abriu processos disciplinares contra ex-funcionários do BC.

Paulo Sérgio Souza ocupou o cargo de diretor de Fiscalização entre 2017 e 2023, indicado por ex-presidentes. Ele é alvo de investigações por suposta troca de informações privilegiadas com Vorcaro. Belline Santana também teve atuação no Desup afastada em março.

O BC afirmou estar em momento de consternação diante do caso Master, descrevendo o ambiente institucional como de luto pela gravidade das irregularidades.

Ações e desdobramentos no Congresso

A CAE do Senado aprovou, na semana passada, requerimento para retirar o sigilo de uma auditoria do TCU sobre o Master. A decisão abre caminho para divulgação de detalhamentos sobre falhas de controle e supervisão.

O quadro traça o pano de fundo de uma crise que envolve auditorias, apurações e decisões administrativas. As autoridades seguem apurando responsabilidades de funcionários, ex-funcionários, bem como de agentes externos que possam ter influenciado o negócio.

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