- A Natura&Co comunicou a saída dos três fundadores do conselho de administração, que passam a integrar um conselho consultivo, sem funções deliberativas. O chairmanship também mudou, com Alessandra Carlucci assumindo a presidência.
- Alessandra Carlucci já era membro do conselho e foi CEO da Natura entre 2004 e 2014; os fundadores serão substituídos por Luiz Guerra, Pedro Villares e Guilherme Passos.
- A Advent elevou a expectativa de participação, anunciando a intenção de comprar entre 8% e 10% das ações para chegar a preço médio de 9,75 reais nos próximos seis meses, com direito a indicar dois conselheiros adicionais, caso alcance a participação.
- Bruno Rocha e Gilberto Mifano deixam o conselho, sendo substituídos por Flávia Almeida e Gabriela Comazzetto; Duda Kertesz e João Paulo Ferreira permanecem no board.
- As mudanças já eram previstas desde 2022, após a conclusão de venda de ativos e desalavancagem, com a empresa destacando foco em inovação e crescimento na América Latina.
A Natura&Co anunciou mudanças estruturais em sua governança, com a saída dos três fundadores do conselho de administração. A troca do presidente do conselho (chairman) também está definida, e a Advent deverá tornar-se acionista da companhia.
Os fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos deixam o board pela primeira vez e passam a integrar um conselho consultivo, sem poder deliberativo. O atual chairman, Fábio Barbosa, também deixa o conselho. Alessandro Carlucci assume a presidência.
Luiz Guerra, Pedro Villares e Guilherme Passos, filho de Pedro, substituem os fundadores no conselho. Carlucci já integrava o colegiado e atuará como chair de forma mais ampla.
Fábio Barbosa afirmou ao Brazil Journal que a mudança reflete o novo momento da Natura, que concluiu a simplificação de ativos e a desalavancagem. O objetivo é incorporar perfis com mais know-how digital e operacional.
A direção também promove alterações adicionais: Bruno Rocha, cofundador da Dynamo, e Gilberto Mifano, ex-CEO da Bovespa, deixam o conselho. Entram Flávia Almeida e Gabriela Comazzetto.
Flávia Almeida tem passagens pela McKinsey e pela Península Participações, onde liderou a holding de Abílio Diniz. Gabriela Comazzetto tem experiência em tecnologia, com passagens pela AmBev, Microsoft, Twitter, Meta e TikTok.
Duda Kertesz e João Paulo Ferreira, CEO da Natura, permanecem no board. As mudanças na governança já vinham sendo discutidas desde 2022, quando Fábio Barbosa assumiu a presidência do conselho.
O plano incluía vender ativos problemáticos e resolver litígios, antes da saída dos fundadores e de Barbosa. A empresa registrou alavancagem de 6x EBITDA no início do ciclo de ajustes, para 1,5x no último trimestre.
A Natura também registrou lucro líquido superior a R$ 1 bilhão no período analisado. Segundo a empresa, o redesenho de governança visa sustentar o crescimento na América Latina e ampliar inovação.
A Advent anunciou interesse em comprar entre 8% e 10% das ações no mercado, com meta de preço médio de R$ 9,75 por ação nos próximos seis meses. Se essa participação se concretizar, a Advent poderá indicar dois novos conselheiros.
Caso atinja esse patamar, a Advent passaria a deter o maior peso no free float da Natura, ultrapassando a Dynamo, hoje com cerca de 8% das ações.
Os fundadores manteriam 38% das ações e não planejam vender, conforme afirmou Fábio Barbosa. O trio renovou o acordo de acionistas por mais 10 anos, mantendo o controle indireto sobre decisões estratégicas.
Além da mudança no comitê executivo, os fundadores integrarão os comitês de produto, inovação e sustentabilidade, enquanto Barbosa ficará no comitê de finanças. A Natura está negociando a R$ 9,24 por ação, com valor de mercado de cerca de R$ 12,7 bilhões. A empresa negocia a 11x o lucro estimado para 2026 e a 5,5x o EBITDA.
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