- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que a equipe econômica estude mudanças no crédito rotativo do cartão, que hoje concentra os juros mais altos do país.
- Gleisi Hoffmann afirmou que Lula comparou o rotativo ao cheque especial e defendeu a criação de uma referência de juros para o cartão.
- Embora haja um teto de 100% da dívida em vigor, a medida não está operacionalizada e o rotativo continua sendo o item mais caro do sistema financeiro.
- Lula questionou o nível de juros do rotativo, sugerindo que deveria haver uma referência similar ao 8% do cheque especial.
- O governo orientou o secretário-executivo do Ministério da Fazenda a buscar formas de reduzir o endividamento das famílias e o custo do crédito, em meio a dados de alta inadimplência e endividamento.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que a equipe econômica estude mudanças no crédito rotativo do cartão, cuja taxa é a mais alta do país. A ordem foi dada na semana em que Gleisi Hoffmann, ministra da Justiça no governo, informou que Lula também pediu avaliação sobre a taxa de juros. O objetivo é, segundo ela, buscar referências para o rotativo assim como já existe para outros produtos.
Gleisi explicou que Lula comparou o rotativo ao cheque especial, que já tem teto definido, e defendeu a criação de um parâmetro para os juros do cartão. Existe uma regra que limita os juros a 100% da dívida, mas, segundo a ministra, a medida ainda não foi operacionalizada. Na prática, o teto está em vigor, mas o rotativo continua entre as opções de crédito mais caras.
Segundo a ministra, o presidente questionou o nível de cobrança do rotativo. Lula teria perguntado: como é possível juros tão elevados para o crédito rotativo, já que o cheque especial já tem uma referência de 8% ao mês?
Dados do crédito e impactos
O limite de 100% da dívida implica que juros e encargos não podem ultrapassar o valor original devido, o que na prática limita o total a dois salários. A orientação foi repassada ao secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, como parte de uma estratégia para reduzir o endividamento familiar.
Dados do BC indicam que o rotativo continua sendo a linha mais cara do sistema financeiro. Em fevereiro, a taxa média chegou a 435,9% ao ano, mantendo-se acima de outras modalidades. A taxa média da economia ficou em 33,0% ao ano, e operações com recursos livres chegaram a 48,6%.
O total de crédito no país alcançou 7,15 trilhões de reais em fevereiro, com alta de 0,4% mensal, puxado principalmente por operações com pessoas físicas. Mesmo com melhora recente, o endividamento permanece elevado.
Contexto e panorama
Levantamentos de entidades ligadas ao varejo mostram alta de inadimplência e endividamento nos últimos meses. Em dezembro de 2025, 78,9% das famílias estavam endividadas; em janeiro de 2026, 73,3 milhões estavam inadimplentes. O governo acompanha medidas para reorganizar o orçamento familiar e reduzir o peso dos juros.
O tema do crédito integra uma estratégia mais ampla do governo para melhorar o cenário econômico, com foco em programas sociais, estímulo ao crédito e alívio financeiro para diferentes faixas da população. As ações conjuntas somam recursos significativos para 2026.
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