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Planos estaduais do clima avançam e devem virar verbas e obras

Anuário aponta que metas climáticas precisam de orçamento e ações para virar obras, integrando clima ao planejamento econômico, fiscal e social estadual

O estudo aponta que é preciso partir para ações de mitigação e adaptação, “transformar metas em obras, diretrizes em orçamento executado, compromissos em resultados mensuráveis”
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  • Anuário Estadual de Mudanças Climáticas aponta que a crise já entrou nas pautas de política industrial, segurança hídrica e proteção social, mas precisa de orçamento e ações.
  • Propõe transformar metas em obras, diretrizes em orçamento executado e compromissos em resultados mensuráveis, integrando o clima ao planejamento de longo prazo.
  • Desmatamento caiu 32,4% em 2024, mas queimadas cresceram em todos os grandes biomas, com Pará e Mato Grosso concentrando quase metade das áreas queimadas.
  • Emissões brasileiras caíram em 2024, totalizando 2,1 bilhões de tCO₂e brutas; o transporte rodoviário responde por mais de 90% das emissões do setor.
  • Estados enfrentam déficits orçamentários para clima, mas existem caminhos como REDD+ e PPPs; 58,2 milhões de hectares de pastagens podem ser regenerados e há avanços em hidrogênio, SAF e biometano.

O Anuário Estadual de Mudanças Climáticas aponta que a crise climática passou a integrar políticas setoriais de indústria, água e proteção social, mas depende de orçamento para virar ação. O estudo enfatiza a necessidade de transformar metas em obras e diretrizes em orçamento executado.

O documento alerta que, para avançar, é preciso coordenar secretarias, alinhar prioridades fiscais e mobilizar fontes de financiamento. A proposta é consolidar a agenda climática como política de Estado, ligada ao planejamento econômico e social de longo prazo.

Na visão dos autores, a transição energética e a gestão de combustíveis fósseis exigem equilíbrio entre expansão de atividades e responsabilidade ambiental. A Margem Equatorial, sob gestão da Petrobras, pode gerar receitas nos estados do Norte e Nordeste, mas o custo ambiental não pode ser ignorado.

Entre os achados, o anuário aponta desigualdades regionais, com poucos estados possuindo inventários de emissões ou planos de adaptação. A maior parte dos recursos climáticos ainda não tem alocação estável, o que restringe ações efetivas no curto prazo.

Desmatamento caiu em 2024, mas queimadas cresceram em múltiplos biomas, elevando riscos para o equilíbrio ambiental. Emissões totais registraram queda, influenciadas pela redução do desmatamento, contudo o setor de transportes segue como principal emissor do país.

O setor de transportes responde por boa parte das emissões, com o rodoviário acima de 90% em muitos estados. Emissões de energia se concentram no transporte rodoviário, enquanto a matriz de renováveis avança apenas parcialmente.

O anuário aponta ainda grande potencial de regeneração de pastagens degradadas, estimado em 58,2 milhões de hectares, especialmente no Centro-Oeste. O documento também destaca avanços da indústria em hidrogênio de baixa emissão, SAF e biometano.

Em termos de saneamento e resíduos, as emissões ligadas a destinação inadequada cresceram, e a universalização do saneamento permanece fora da meta de 2033. Desastres climáticos em 2024 somaram 4.699 eventos, com danos estimados em 38 bilhões de reais.

Sobre o financiamento, alguns estados já dispõem de orçamento para o clima, enquanto outros enfrentam déficits. Mecanismos como REDD+, carbono e PPP aparecem como saídas para captar capital externo e acelerar investimentos verdes.

Desafios de orçamento e caminhos de financiamento

A prioridade é transformar compromissos em investimentos reais. Ferramentas híbridas, parcerias e mercados de carbono ganham relevância para suprir lacunas orçamentárias. A leitura do anuário sugere que a consolidação da agenda climática depende de planejamento robusto e execução orçamentária.

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