- Jordan Rochester, conhecido como “Sr. Brexit”, é estrategista macro do Mizuho Bank e voltou a acertar ao prever impactos da guerra no Oriente Médio nos mercados.
- Após o ataque israelo‑americano ao Irã, ele mudou rapidamente de recomendação, passando de compra de futuros de taxas de juros do Reino Unido para venda a descoberto e orientando venda de euro frente ao dólar e proteção contra inflação na Europa.
- A decisão de sair das operações ocorreu dias depois, com a expectativa de que interrupções no abastecimento de petróleo pressionariam juros para conter a inflação.
- Quem seguiu o guidance teve lucros potenciais, com a mudança de viés levando a uma das maiores vendas de títulos em anos; fundos de hedge enfrentaram perdas.
- Rochester manteve posição de baixa em mercados de títulos, chegando a sinalizar venda a descoberto de taxas japonesas; ele reserva-se a ajustar as posições conforme a evolução do conflito.
O estrategista Jordan Rochester, conhecido como o “Sr. Brexit” pelas previsões que impactaram o Reino Unido, reaparece no radar financeiro ao prever impactos da guerra no Oriente Médio nos mercados globais. A virada ocorreu após o início do ataque israelense-americano ao Irã, há cerca de quatro fins de semana.
Rochester atua como estrategista macro do Mizuho Bank e tem acompanhado de perto as consequências da escalada. Assim que as hostilidades iniciaram, ele já ajustou recomendações, criticando apostas anteriores e orientando clientes a repensar posições.
A mudança começou na segunda semana do conflito, quando a equipe indicou venda a descoberto de futuros de juros do Reino Unido e desova de posições em euro frente ao dólar. A operação também sugeriu proteção contra inflação na Europa diante da alta do petróleo.
Reviravolta nas recomendações
Segundo fontes próximas ao grupo, a orientação foi clara: abandonar operações anteriores e adotar posições contrárias ao que era defendido. A conclusão técnica foi de que a confusão no abastecimento de energia e o petróleo em alta exigiriam ajustes de política monetária.
Essa leitura se mostrou lucrativa para quem seguiu o conselho. Um mês após o início da guerra, houve uma mudança de expectativa de cortes para aumentos de juros no Reino Unido, impulsionando fortes quedas de títulos.
Investidores que apostaram em cortes levaram perdas, especialmente fundos de hedge como Brevan Howard. Já quem seguiu Rochester viu oportunidades de negociação com o avanço dos movimentos no mercado de títulos.
Desdobramentos e avaliação de risco
A equipe de Rochester manteve a posição de baixa e, na sexta-feira, ampliou a aposta com uma venda a descoberto da taxa de juros japonesa. A ofensiva envolve riscos, mas também a possibilidade de ganhos com a volatilidade.
Rochester, 35 anos, iniciou a carreira na Nomura em 2013, no setor de moedas, e hoje comanda a estratégia macro da Europa, Oriente Médio e África no Mizuho desde 2024. Sua trajetória inclui previsões sobre a libra durante o Brexit.
Alguns analistas destacam a capacidade de Rochester de pensar fora do consenso. Linda Raggi, da Pictet Asset Management, elogia a pesquisa e a disciplina da equipe em discussões regulares sobre mercados macro.
Olhar para o longo prazo
As lições do período incluem que interrupções no petróleo podem alterar as trajetórias de inflação e juros, principalmente na Europa e no Reino Unido. Rochester admite que o cenário pode mudar rapidamente conforme evoluía o conflito.
Mesmo com erros anteriores, ele mantém a visão de que movimentos estruturais de mercado dependem de múltiplas condições, entre elas cessar hostilidades e desfechos diplomáticos. O mercado permanece atento às próximas negociações.
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