- Sindustrigo aponta que a farinha de trigo em São Paulo pode subir já em abril, impulsionada por custos de frete mais altos e mudanças na carga tributária.
- A elevação do diesel já afeta o transporte de trigo e de farinha, somando à valorização das commodities no mercado internacional e interno.
- Tensões geopolíticas, como o conflito entre Estados Unidos e Irã, podem elevar combustíveis e afetar a disponibilidade de fertilizantes, pressionando a oferta de trigo.
- A Lei Complementar nº 224/2025 entra em vigor em 1º de abril, reduzindo o crédito presumido de 3,23% para 2,91% e instituindo 1,175% de PIS/COFINS sobre importados sem compensação, com efeitos no curto prazo.
- No cenário externo, a cotação do trigo na Bolsa de Chicago reflete preocupações com seca nos EUA e projeção de menor produção global em 2026/27; Argentina manteve safra recorde, mas a qualidade preocupa moinhos brasileiros.
O Sindustrigo, Sindicato da Indústria do Trigo do Estado de São Paulo, aponta possibilidade de alta nos preços da farinha de trigo já em abril. A estimativa tem como gatilhos o aumento recente dos custos de frete e mudanças na carga tributária.
Segundo a entidade, o peso do diesel atinge o transporte de trigo e farinha. Além disso, a valorização das commodities, no mercado externo e interno, sustenta o movimento de alta em cenários econômicos instáveis.
Também há pressão de tensões geopolíticas, como o conflito entre Estados Unidos e Irã, que elevam combustíveis e podem reduzir a oferta de fertilizantes. Isso pode impactar a disponibilidade de trigo em SP, com sinalização de queda da safra 26/27.
Max Piermartiri, presidente do Sindustrigo, aponta que produtores podem reduzir a área plantada no próximo ciclo, acentuando a redução da oferta local. A Câmara Setorial do Trigo de SP já discute esse tema desde março.
Outro fator relevante é a Lei Complementar nº 224/2025, que entra em vigor em 1º de abril. A norma altera o crédito presumido de 3,23% para 2,91% e impõe PIS/COFINS de 1,175% sobre importados sem compensação.
Especialistas indicam que a constitucionalidade da lei pode ser contestada, mas os efeitos devem se manifestar no curto prazo. O Sindustrigo ressalta desequilíbrios tributários entre estados, que prejudicam a competitividade dos moinhos paulistas.
Piermartiri afirma que o setor busca diálogo com o governo de São Paulo para equilibrar a competição entre estados. O objetivo é manter a competitividade da indústria de trigo paulista sem repassar custos aos consumidores.
No plano internacional, a cotação do trigo na Bolsa de Chicago reflete preocupações com seca em áreas dos EUA. Há projeção de queda na produção global para a safra 2026/27, o que alimenta incertezas de oferta.
Apesar da Argentina ter registrado safra recorde em 2025/26, estimada em 29,5 milhões de toneladas, a qualidade do produto preocupa os moinhos brasileiros. Ainda não há confirmação de reajuste oficial de preços.
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