- A segunda temporada do podcast Golpe de 1964: Perdas e Danos, da Radioagência Nacional, investiga quem lucrou com a ditadura militar (1964–1985) e como o regime funcionou como plataforma de lucro para empresas nacionais, multinacionais e governos estrangeiros.
- O foco é a “captura do Estado” por agentes privados e o rastro financeiro que sustentou o período, com episódios semanais às quartas‑feiras.
- Documentos inéditos mostram que a Suíça foi um dos maiores investidores no Brasil durante a ditadura, mesmo diante de uma imagem de neutralidade.
- A série aponta relações entre empresas multinacionais, o empresário Osvaldo Ballarin e obras superfaturadas, além da dívida externa, como a usina hidrelétrica de Itaipu, e a participação de executivos na arrecadação para a Operação Bandeirantes.
- O material também aborda impactos na educação e o caminho jurídico para responsabilizar pessoas jurídicas, com foco na justiça de transição e na atuação do Ministério Público Federal.
A nova temporada do podcast da Radioagência Nacional revela a face econômica da ditadura brasileira, entre 1964 e 1985. Batizada de Passado Leiloado, a série acompanha como o regime funcionou como motor de lucro para empresas nacionais, multinacionais e investidores estrangeiros. A investigação, conduzida pelas repórteres Eliane Gonçalves e Sumaia Villela, apresenta cinco episódios semanais sobre a captura do Estado por agentes privados.
A partir de documentos inéditos, o material mostra que a Suíça foi um dos maiores investidores no Brasil durante o período, mesmo após a imagem de neutralidade do país. A série aponta interesse de credores estrangeiros em manter o regime de exceção, além de expor contratos de obras superfaturadas e o endividamento externo ligado a grandes empreendimentos como Itaipu.
O episódio de estreia traça o sequestro do embaixador suíço Giovanni Bucher em 1970 e analisa o peso dos financiadores suíços na política econômica do período. A investigação também destaca o elo entre multinacionais e o governo militar, com o empresário Osvaldo Ballarin descrito como uma ponte entre capital estrangeiro e o aparato estatal.
A cada episódio, a série aprofunda a relação entre elites econômicas e o regime, incluindo a participação de executivos de alto nível na arrecadação que sustentou serviços de repressão, como a Operação Bandeirantes. Também é abordada a dimensão do endividamento ligado a obras de grande escala, como a Usina de Itaipu.
O conteúdo sinaliza impactos no cenário brasileiro atual, incluindo políticas de educação, com exemplos de contratos privilegiados em Foz do Iguaçu que impulsionaram o crescimento de escolas privadas. A proposta é mapear como a ditadura moldou o desenho público-privado da educação.
A investigação também aborda a conexão entre a antiga elite escravocrata e os financiadores da ditadura, estabelecendo uma linha histórica de apoio a interesses de longo prazo. O projeto conta ainda com a participação de membros do Ministério Público Federal e pesquisadores para avançar na responsabilização e memória das violações de direitos humanos.
Responsabilização
A temporada finaliza discutindo perspectivas da justiça de transição. O MPF mantém o foco na responsabilização de pessoas jurídicas, buscando atribuir reparação civil a empresas que colaboraram com o regime. A partir de agora, a abordagem é judicializar a participação de organizações privadas.
Serviço
Podcast: Perdas e Danos (2ª Temporada – Passado Leiloado)
Periodicidade: quartas-feiras
Onde ouvir: Radioagência Nacional e principais plataformas de áudio
> Fonte: conteúdo da Radioagência Nacional sobre a série Passado Leiloado, 2ª temporada de Perdas e Danos.
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